terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OAB/MS na campanha pelas vítimas da enchente da Região Serrana do Rio

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, solidarizada com as vítimas da enchente, além de disponibilizar em seu site as contas fornecidas pelas prefeituras das cidades atingidas, também está divulgando a campanha iniciada pelo Conselho Seccional do Rio de Janeiro – que, preocupado com o destino das doações e entregas dos produtos, está mobilizando os advogados na arrecadação de valores a serem utilizados na compra de água, comidas remédios e materiais de higiene. Os dados desta conta são os seguintes: BANCO DO BRASIL – AGÊNCIA 2234-9 – CONTA CORRENTE 1000-6 – OAB/RJ – SOS REGIÃO SERRANA. O Presidente da Seccional, Wadih Damous, informa que qualquer quantia será de grande valia.
CAMINHÃO DE ÁGUA – A OAB/MS também está viabilizando a contratação direta de um caminhão de água mineral junto à empresa que possua unidade distribuidora na região serrana, a fim de minimizar custos com frete e deslocamento. Tão logo seja entabulada a negociação, o presidente Leonardo Avelino Duarte irá comunicar aos advogados sul-mato-grossenses, bem como irá solicitar parceria dos tribunais locais. Em conversa na tarde de ontem com o presidente do TRT 24ª Região, desembargador Marcio Vasques Thibau, Duarte recebeu apoio no sentido de que a arrecadação seja feita também com magistrados e funcionários daquele órgão.


Fonte:

Um índio morre a cada 12 dias em terra indígena no AM

ORÇAMENTO E ATUAÇÃO NACIONAL EXPLICAM COBIÇA POLÍTICA

DE SÃO PAULO
FOLHA DE SÃO PAULO-SP
17/01/2011
Editoria: PODER
Assunto: INDÍGENA

Orçamento de R$ 4,7 bilhões, linha direta com prefeituras e presença em todos os cantos do país são fatores que fazem da Funasa sonho de consumo dos políticos e explicam a guerra para comandá-la no governo Dilma.
´´É um órgão muito importante por causa da sua capilaridade social. São mais de 5.000 municípios atendidos´´, enumera o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Há duas semanas, ele teve um bate-boca ríspido com o ministro Alexandre Padilha (Saúde), que manifestou a intenção de transferir o controle da Funasa para o PT.
O vice-presidente Michel Temer e o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) tiveram que intervir, e os dois selaram a trégua num encontro na quarta-feira passada.
´´Tivemos um curto-circuito inicial. Foi um episódio lamentável, mas já restabelecemos a confiança´´, diz Alves. Segundo ele, Padilha se comprometeu a informá-lo previamente de qualquer mudança no órgão.
Os peemedebistas reclamam que o PT já assumiu a Secretaria de Atenção à Saúde e, nos bastidores, ameaçam dificultar a vida de Dilma no Congresso se perderem o comando da Funasa.
O partido apoia a permanência do presidente Faustino Lins. Sua lista de padrinhos inclui os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eunício Oliveira (PMDB-CE).
Do outro lado, os petistas evocam os escândalos recentes como argumento para tomar o controle do órgão.
Alves ainda guarda mágoas da briga com o ex-ministro Temporão, que também era do PMDB: ´´Ele acusou sem provas e não conseguiu confirmar o que disse´´.
Temporão está de férias e não foi localizado.
A Funasa atua nas áreas de saúde indígena e saneamento básico. Toca de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) a ações de combate à dengue.



Desvios na Funasa chegam a R$ 500 milhões, diz CGU

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
17/01/2011 - 08h30



Auditorias concluídas nos últimos quatro anos pela CGU (Controladoria Geral da União) revelam que a Funasa foi vítima de desvios que podem ultrapassar a cifra de meio bilhão de reais.
O órgão está sob comando do PMDB desde 2005 e é o principal alvo do partido na guerra por cargos no segundo escalão do governo Dilma.
Levantamento feito pela Folha mostra que a CGU pediu a devolução de R$ 488,5 milhões aos cofres da Funasa entre 2007 e 2010. O prejuízo ainda deve subir após novos cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), que atualiza os valores ao julgar cada processo.
De acordo com os relatórios, o dinheiro teria sumido entre convênios irregulares, contratações viciadas e repasses a Estados e prefeituras sem a prestação de contas exigida por lei.
A pesquisa somou as quantias cobradas em 948 tomadas de contas especiais instauradas nos últimos quatro anos. As investigações começaram no Ministério da Saúde, ao qual a Funasa é subordinada, e foram referendadas pela CGU.
O volume de irregularidades que se repetem atrasa a tentativa de recuperar o dinheiro, e os processos não têm prazo para ser julgados pelos ministros do TCU.
Além das auditorias, balanço feito pela controladoria a pedido da reportagem aponta a existência de 62 processos simultâneos contra a direção da Funasa.
Outros seis apuram supostas irregularidades cometidas por dirigentes e servidores, e podem culminar em punições como a demissão e a proibição de exercer novos cargos públicos.
Em 2009, o ex-presidente Paulo Lustosa, o primeiro indicado ao cargo pelo PMDB, foi banido da administração federal por cinco anos.
A CGU o responsabilizou pelo superfaturamento de contratos de R$ 14,3 milhões da TV Funasa. Em parecer, ele foi acusado de exibir "verdadeiro desprezo e desapego" aos recursos públicos.
No mesmo ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Covil, contra pagamentos de propina em Tocantins, e a Operação Fumaça, que desarticulou um esquema de desvio de repasses da Funasa a prefeituras do Ceará. As investigações constataram desvios de R$ 6,2 milhões.
Apesar dos escândalos, os peemedebistas mantêm o controle sobre a Funasa. Em 2008, o então ministro José Gomes Temporão (Saúde) quase perdeu o cargo após apontar "corrupção" e "baixa qualidade" no órgão.
Ele tentou demitir o presidente Danilo Forte, mas reação comandada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), manteve Forte, que em abril de 2010 passou o cargo a Faustino Lins, outro afilhado de Alves, para se eleger deputado pelo PMDB-CE.


OUTRO LADO

O presidente da Funasa, Faustino Lins, informou que não daria entrevista. Sua assessoria disse que o órgão apura denúncias de supostas irregularidades e colabora com a fiscalização da CGU.
A reportagem deixou recado no escritório político de Danilo Forte, mas ele não ligou de volta. Paulo Lustosa não foi localizado.


Um índio morre a cada 12 dias em terra indígena no AM

Segunda maior terra indígena do país, a Vale do Javari, no Amazonas, teve nos últimos 11 anos uma morte de índio a cada 12 dias, segundo levantamento da ONG Centro de Trabalho Indigenista. O total de mortes no período soma 325, o equivalente a 8% da população da terra indígena. A Vale do Javari, na fronteira com o Peru, reúne uma das maiores concentrações de índios isolados do mundo. A população é estimada em 4 mil. Um dos povos que habitam a terra, o Kanamari, perdeu 16% de seus habitantes. A maior parte dos mortos (64%) tem até 10 anos -são sobretudo bebês. As principais causas são hepatite, pneumonia e doenças trazidas pelo contato com populações de fora da terra indígena. Também há relatos de alto índice de suicídios. A ONG atribui a situação à má gestão de recursos por parte da Funasa - FSP, 16/1, Poder, p.A15.

Inclusão com Consciência

Já difundidas no setor privado, as políticas afirmativas surgiram a partir de parcerias. Mas especialistas garantem que não basta contratar: é preciso investir contra o preconceito

Manoela Alcântara
Arquivo Pessoal
Vanessa foi beneficiada por um programa entre a Febraban e uma universidade
O que ainda está em fase de debate no funcionalismo público já é realidade na esfera privada. Os bancos não estatais, por exemplo, adotaram políticas afirmativas após a divulgação de uma pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em 2007. O levantamento indicou que, nas instituições financeiras privadas, apenas 19% do quadro de funcionários era negro, que as mulheres ganhavam menos, ainda que tivessem a mesma capacitação dos homens, e que não havia pessoas com deficiência entre os empregados.
A mudança dessa realidade começou a partir de parcerias firmadas com a Seppir, a Fundação Zumbi dos Palmares, universidades e organizações não governamentais, que se uniram para inserir essas pessoas em bancos de talentos voltados para o ingresso no mercado de trabalho. “Todas passam por uma seleção, mas o número de oportunidades agora é maior. Treinamos nosso pessoal de RH para escolher os funcionários a partir do princípio da diversidade”, conta o diretor de relações institucionais da Febraban, Mario Sérgio Vasconcelos. Além disso, 10% das vagas de estágio no setor bancário são reservadas para alunos do Programa Universidade para Todos (ProUni). “São bolsistas de baixa renda e, em sua grande maioria, negros”, completa.
Vanessa Santos Antônio, 20 anos, é uma das beneficiadas por essas iniciativas. A estudante de administração de empresas da Universidade Zumbi dos Palmares viu sua vida mudar depois que conquistou uma vaga na área de recursos humanos do Banco Bradesco, quando ainda tinha 17 anos. “Nos dois anos que fiz de estágio, pude participar de 50 cursos disponibilizados pelo convênio”, calcula. Lá, teve a oportunidade de aprender sobre diversas áreas da empresa e de concluir um curso de formação, que lhe rendeu a contratação permanente.
A quatro meses de completar um ano na empresa, Vanessa confessa: “Sempre quis ser bancária. Vim da periferia, estudei em escolas públicas, não tive as mesmas oportunidades que muitos. Mas, hoje, sou uma profissional que tem capacidade para assumir qualquer papel na área financeira. Graças ao treinamento que me deram no Bradesco”, constata.

Conscientização

De acordo com Mário Vasconcelos, os bancos tiveram a preocupação de não apenas contratar essas pessoas, mas de investir no bem-estar delas. A diversidade nas instituições é tema frequente de palestras e campanhas de conscientização para que qualquer tipo de preconceito seja quebrado. “Queremos dar exemplos de cases de sucesso e aumentar ainda mais esse percentual. As ações voltadas para isso são primordiais, pois esse não é um problema que se resolve rapidamente. É preciso uma mudança no comportamento. É uma postura evolutiva e não de imposição”, alerta Mário. Para ele, as ações devem vir acompanhadas de campanhas de conscientização.  
De acordo com a ministra da Seppir, Luiza Helena de Bairros, ações como essa mostram o potencial de políticas que surgiram nos últimos anos e que podem ser trabalhadas para diminuir as desigualdades. “Algumas empresas públicas aderiram ao Selo de Proequidade de Gênero e Raça e já têm suas próprias iniciativas. Outras criam programas de treinamento de seus recursos humanos, como a iniciativa dos bancos. Temos que aproveitar as boas práticas”, afirma a ministra.


Minorias
Mudança de mentalidade


Deficientes

O artigo 37 da Constituição Federal determina a reserva de vagas para pessoas com deficiência no serviço público e a Lei nº 8.112 delimita que essa salvaguarda seja entre 5% e 20% do total de oportunidades. Na área privada, a Lei nº 8.213/91 diz que toda empresa com mais de 100 empregados é obrigada a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com funcionários reabilitados ou deficientes.


Índios

A Lei nº 3.594 garante a reserva de 3% das vagas de concursos públicos no estado de Mato Grosso do Sul para índios. Além disso, institui reserva de 10% das vagas estaduais para negros. A estatística é de que 64 mil indígenas residem no estado de Mato Grosso do Sul, o que representa cerca de 3,7% da população.

Negros

A Lei nº 12.288 regulamenta o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação da paridade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.


Fonte:
CORREIO BRAZILIENSE-DF
17/01/2011
Editoria: EU CONCURSEIRO
Assunto: INDÍGENA

sábado, 15 de janeiro de 2011

Conquista Indígena!!!

Parentes, amigos e Guerreiros.

Vejam só, recebi pelo Twitter, a seguinte nota enviada pelo Governador do Amapá, Camilo Capiberibe.

"Acabei de assinar o decreto de nomeação do Indígena Coaracy Maciel Gabriel para ser o novo Secretário dos povos indígenas.

Camilo - Governador do Amapá"


 
Por isso nao somente digo, como afirmo desde 1976 quando cheguei a Brasilia pra fundar a UNIND - União das Nações Indigenas: A LUTA CONTINUA!


Fonte: *MARCOS TERENA*
http://twitter.com/MarcosTerena
http://www.youtube.com/marcosterena

Fala de indígenas que estiveram presentes em Campo Grande/MS no Acampamento Terra Livre

"Romancil Kretã, liderança Kaingang do Paraná soube sintetizar as razões do evento estar acontecendo em Campo Grande. “Este é o estado do Brasil que mais discrimina os povos indígenas e precisamos mostrar esta realidade para a sociedade! Somos estrangeiros dentro de nossas próprias terras, pois a Constituição brasileira não é respeitada e as leis que surgem só marginalizam os povos indígenas!”, declarou: “Este é um estado em que um boi vale mais que uma criança, um lugar em que a cana vale mais que todo o povo indígena reunido”, denunciou Anastácio Peralta, liderança Guarani Kaiowá Irajá Pataxó falou em nome dos povos"



Fonte: http://www.cimi.org.br/pub/publicacoes/1284733138_mensageiro_183_set_out_2010_web.pdf

Secretaria para Assuntos Indígenas, por Jorge Eremites

A partir da promulgação da Carta Constitucional de 1988, o Brasil entrou em outro momento de sua história. Findado o regime militar imposto com o golpe de 1964 e instalado o Estado Democrático de Direito, povos e comunidades etnicamente distintos em relação à sociedade nacional tiveram na Constituição Cidadã a conquista de importantes direitos.
A partir de então, o país passou a se perceber como multiétnico e deixou para trás a perspectiva assimilacionista que até então vigorava na legislação brasileira. Logo, políticas públicas de todo tipo não puderam mais ser concebidas como se a população brasileira fosse algo homogêneo. Exemplos disso estão na saúde e na educação diferenciadas desenvolvidas em muitas comunidades indígenas distribuídas pelo território nacional. Mas nem tudo é tão simples assim. Ter garantias asseguradas na Lei Maior não significa sua imediata aplicação e reconhecimento nos poderes constituídos na República. Por este motivo, movimentos indígenas seguem suas trajetórias de reivindicação de direitos dos mais variados no mundo atual, o que muitas vezes se dá na esfera do judiciário. No caso específico dos municípios sul-mato-grossenses com marcante presença de povos indígenas, como é o caso de Amambai, Caarapó, Dourados e Miranda, alguns avanços têm sido registrados aqui e acolá, embora muito ainda esteja por ser feito.
Neste sentido, recentemente veio de Dois Irmãos do Buriti um exemplo que pode inspirar o legislativo e o executivo de muitas cidades. Lá, a Câmara Municipal aprovou em fins de dezembro de 2010 um projeto de lei que cria a SEMAI – Secretaria Municipal para Assuntos Indígenas, órgão com dotação orçamentária própria e responsável pela definição, aplicação e fiscalização de políticas públicas voltadas para as comunidades indígenas ali existentes.
Esta conquista foi o resultado de um conjunto de fatores, dentre os quais o protagonismo dos Terena da Terra Indígena Buriti, os quais têm um representante na Casa de Leis, e o apoio recebido do prefeito e da Câmara Municipal. Mais que isso, os próprios Terena indicaram os nomes que estarão à frente desta nova pasta, sendo todos indígenas das aldeias existentes no município e portadores de curso superior.
Ao tomar esta iniciativa, Dois Irmãos do Buriti apresenta-se como vanguarda no que se refere à administração pública, pois com uma secretaria desse tipo ficará mais fácil definir, aplicar e fiscalizar as políticas públicas voltadas para as comunidades indígenas, em respeito aos seus usos, costumes e tradições, conforme determina a Carta Magna. Ademais, esta pasta também será responsável pela articulação de convênios interinstitucionais e pela captação de recursos federais através de projetos.
No caso de Dourados, depois de todos os prejuízos políticos registrados nos últimos meses, seria de bom alvitre que o futuro prefeito da cidade seguisse o exemplo que veio de Dois
Irmãos de Buriti e dispensasse mais atenção aos povos indígenas que aqui vivem. A própria Câmara Municipal também poderia tomar a iniciativa de propor um projeto de lei para criar a Secretaria Municipal para Assuntos Indígenas, visto que não se trata de mais um ônus, senão uma oportunidade de planejamento estratégico voltado para o futuro. Ao tomar esta iniciativa, certamente que Dourados voltará a ser manchete na imprensa nacional, mas desta vez de maneira positiva, como um município que respeita os direitos dos povos indígenas e os inclui como protagonistas na história da administração pública.



Fonte:
SÍTIO DOURADOS NEWS, 13.01.2011

Jorge Eremites de Oliveira*
* Doutor em História/Arqueologia pela PUCRS e professor associado da UFGD (eremites@uol.com.br).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

International Survival apresenta dois curtas que denunciam a situação dos Guaraní no Dia Internacional dos Direitos Humanos

Pela celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Survival International apresenta dois novos curta metragens documentais sobre a desesperadora situação que atravessam os índios Guaraní do Brasil.
O vídeo “Tem que ser valente” reflete a determinação dos Guaraní em recuperar suas terras, que lhes foram arrebatadas para dar lugar a fazendas de gado e a plantações de soja e cana de açúcar.
Na película “Os pistoleiros”, os Guaraní expressam sua ira e seu temor ante os pistoleiros pagos contratados pelos latifundiários que se apoderaram de suas terras e que os atacam.
Nas palavras de uma mulher Guaraní: “Imagine as balas dos pistoleiros voando por toda parte… à noite podem alcançar a uma criança, uma mulher, a qualquer um de nós”.
Muitos Guaraní, entre eles o líder Marcos Veron, reconhecido internacionalmente, foram assassinados tentando regressar a suas terras ancestrais.
Milhares de Guaraní vivem atualmente em condições miseráveis em acampamentos improvisados a beira de estradas interestaduais, ou em reservas superlotadas. No mês passado, Deborah Duprat, Procuradora Geral Adjunta da República no Brasil, descreveu uma delas, a reserva de Dourados, como “possivelmente a maior tragédia que afeta a um povo indígena em todo o mundo”.
Esta semana, o ganhador do Prêmio Nobel Alternativo, o bispo Dom Erwin Kräutler, descreveu a situação dos Guaraní como “um genocídio cruel” que o Governo está ignorando, apesar de estar sucedendo-se “diante de seus olhos”.
O porta voz Guaraní Anastácio Peralta se encontra neste momento na Europa para denunciar a crítica situação. Segundo o mesmo declarou: “Nos roubaram nossas terras,destruíram a natureza, contaminaram nossas águas e mancharam nossa terra com o sangue de meu povo. Porém, não conseguiram destruir nossa língua, nossas preces, nossa cultura, nossa história nem nossa resistência”.
Fontes internas da Survival manifestaram: “Neste Dia dos Direitos Humanos há Guaranís que vivem sem acesso a água potável, em choças de lona a beira de auto-estradas. Há outros, aprisionados, com pouca comida em meio a milhares e milhares de quilômetros de canaviais. As autoridades brasileiras devem assegurar o futuro dos Guaraní garantindo seu direito fundamental de viver em seus territórios ancestrais”.
No início deste ano, a Survival International enviou um informe às Nações Unidas denunciando a violência, os suicídios, a desnutrição e outras ameaças que têm enfrentado os Guaraní.



Fonte:  www.survival.es
SURVIVAL INTERNATIONAL:10/12/10

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mestrado da UNB beneficia alunos indígenas da UEMS

A Universidade de Brasília (UNB) está com inscrições abertas para o mestrado profissional em Desenvolvimento Sustentável, destinado aos povos indígenas. Das 26 vagas oferecidas pelo programa, 13 são reservadas exclusivamente a indígenas que tenham formação em curso superior. As inscrições para o primeiro período letivo de 2011 vão até o dia 11 de fevereiro. Confira o edital no anexo.
O programa beneficia diretamente os alunos e egressos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) que destina 10% de todas as suas vagas de graduação a indígenas. A Universidade foi a primeira do Brasil a adotar o sistema de cotas para seleção de indígenas. Desde 2004, quando o sistema de cotas passou a valer, 38 indígenas já completaram o ensino superior pela UEMS e estão aptos a concorrerem às vagas do novo mestrado oferecido pela UNB.
Além de estimular a inserção desses alunos, a Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários da Universidade, Beatriz Landa, lembra que a instituição também promove constantemente a reflexão sobre temáticas que contemplem questões indígenas. “Esse mestrado significa continuidade na formação com uma ótica voltada para o desenvolvimento dos povos indígenas”, diz Beatriz.


Mestrado profissional

Diferentemente do mestrado acadêmico, o mestrado profissional visa o mercado de trabalho, ou, no caso deste programa, visa uma preparação mais intensa dos profissionais para atuarem junto aos territórios indígenas e suas comunidades. A área de concentração a que está submetido o novo programa de pós-graduação é “Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais”, na modalidade Sustentabilidade Junto a Povos e Terras Indígenas.
De acordo com a UNB, o programa está em conformidade com os Termos de Cooperação celebrados entre Fundação Universidade de Brasília (FUB) e Ministério da Cultura (Minc), Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), United States Agency for International Development (Usaid) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), na condição de entidades parceiras e financiadoras da iniciativa.


10/01/2011 - 19:13

Os índios falam línguas ou dialetos?

Muitas vezes ouvimos dizer que os índios falam 'dialetos' ou 'girias', algo diferente das 'línguas' que nós falamos. Mas devemos ter cuidado com esses rótulos, pois refletem idéias falsas tanto sobre as formas de expressão dos índios quanto sobre as nossas. Isso é porque pensamos que 'dialetos' e 'girias' são formas de expressão menores, mais pobres ou simplesmente 'erradas', e corremos o risco de associar essas idéias a qualquer grupo de pessoas que fala diferente de nós. Mas o estudo das línguas nos mostra que não é bem assim. Vamos ver, então, como os lingüístas vêem estas questões.
Primeiro, podemos afirmar, sem dúvida, que os índios falam 'línguas', tão ricas e completas quanto a nossa. Usando as suas línguas, podem falar de qualquer assunto e expressar noções das mais simples às mais abstratas-exatamente como nós fazemos usando português, inglês, chinês ou outra língua mais conhecida. Além disso, as línguas indígenas têm história e os seus falantes são detentores de tradições e literaturas orais extensas, com estilos e formas variados. Podemos pensar que apenas textos escritos podem ser chamados de 'literatura', mas de fato, as literaturas orais das sociedades indígenas refletem as suas experiências acumuladas, sua história, seus costumes, valores e conhecimentos. Enfim, a literatura de um povo-escrita ou oral-expressa igualmente a sua cultura e exprime a sua identidade.
Finalmente, o estudo das línguas nos mostra que nenhuma língua é falada o tempo todo da mesma forma por todos os falantes. Todas as línguas têm variantes-muitas vezes associadas a regiões geográficas-que reconhecemos porque apresentam pequenas diferenças de pronúncia ou até de uso de algumas palavras ou expressões específicas. São essas variantes internas de uma língua que os lingüístas chamam de 'dialetos'. Sendo assim, qualquer falante de uma língua (inclusive você!) fala algum 'dialeto' daquela língua.



Fonte: http://prodoc.museudoindio.gov.br/geral.php?ID_S=13

Beijódromo é inaugurado em Brasília

A construção é resultado de um convênio entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), com o investimento de R$ 8,5 milhões
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, inaugura nesta segunda-feira (6/12) à tarde, na Universidade de Brasília (UnB), o Memorial Darcy Ribeiro. A construção é resultado de um convênio entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), com o investimento de R$ 8,5 milhões.
Cerimônia contará com presença do presidente Lula e do presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, além dos ministros da cultura do Brasil, Juca Ferreira, e do Uruguai, Ricardo Ehrlich e o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad.
"Era impressionante a força e fé de Darcy de que a singularidade da cultura brasileira alçaria o país a uma posição invejável no cenário mundial. Vemos hoje que ele estava correto, pois daqui a pouco tempo seremos a quinta economia mundial”, lembra o ministro Juca Ferreira. “O Memorial é um presente para essa cidade que completou 50 anos e se tornou definitivamente a capital dos brasileiros e a UnB, universidade sonhada por ele e que ajudou a fundar”, acrescentou.
O espaço foi projetado pelo arquiteto e parceiro de Darcy em diversos projetos, João Filgueiras Lima, o Lelé. Os que passam em frente enxergam um misto de nave espacial e oca indígena. Ao entrar, encontram biblioteca, espelho d’água, salas de aula e climatizador natural. Há também um espaço para descanso e apresentações, que, já na concepção do local, o próprio antropólogo batizou de Beijódromo. Tudo isso distribuído em dois andares, numa área total de 2 mil m².
A biblioteca tem em seu acervo mais de 30 mil exemplares do professor e educador e de sua primeira esposa, a antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, além de disponibilizar documentos pessoais, como cartas trocadas com Oscar Niemeyer e o filósofo francês Jean-Paul Sartre. Haverá também exposição de obras de arte brasileiras, que vão desde quadros de Portinari a artefatos indígenas.


Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro nasceu 26 de outubro em 1922, em Montes Claros (MG). Começou sua vida profissional como antropólogo, passando à área educacional, na qual alcançou ao cargo de ministro da Educação, em 1962, e, no ano seguinte, ministro-chefe da Casa Civil, ambos no governo João Goulart.
Em 1964, foi forçado pelos militares a sair do país. No exílio, engajou-se acadêmica e politicamente pelos países latinos por onde passou: Uruguai, Chile, Peru, Costa Rica, México e Venezuela.
No Uruguai, onde permaneceu por mais tempo, foi convidado, assim que chegou, a ser professor da Universidade da República. Lá também conseguiu um passaporte que permitiu viagens à Europa e a Cuba, onde encontrou, entre outros, Che Guevara e Fidel Castro. Ainda no Uruguai, escreveu a Enciclopédia da cultura uruguaia e a primeira versão de O povo brasileiro. Este foi o período considerado por Darcy como o mais fecundo de sua vida.
De volta ao Brasil, Darcy foi vice-governador do Rio de Janeiro, em 1982, secretário de Cultura, coordenador do Programa Especial de Educação e senador da República, de 1991 até sua morte, em 1997. Também concretizou projetos na área ambiental, e, por sua intensa produção de livros, passou a ocupar, em 1993, a cadeira de número 11 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Nos últimos anos de vida, revelou-se um poeta.
Planejou os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), centros culturais e, em oito países, criou ou recriou universidades, além de deixar inúmeras obras traduzidas para diversos idiomas. Entre as instituições criadas por Darcy estão o Museu do Índio, no Rio de Janeiro, e a Universidade de Brasília. Entre as obras que idealizou estão a Biblioteca Pública Estadual do Rio, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim, o Centro Infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo, que inicialmente também funcionava como uma grande escola primária, com 200 salas de aula, além do Memorial da América Latina, edificado em São Paulo com projeto de Oscar Niemeyer. Darcy contribuiu ainda para o tombamento de 96 quilômetros de belíssimas praias e encostas do litoral fluminense, além de mais de mil casas do Rio Antigo.
Darcy Ribeiro é um dos cientistas sociais brasileiros de maior renome no mundo, por sua grande contribuição à defesa da causa étnica. Consagrou-se como alguém que propunha uma reflexão do Brasil a partir da amplidão de sua cultura, e já enxergava que as expressões populares seriam capazes de auxiliar uma “leitura” mais completa do país. (com assessoria).


Fonte: http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=29&ID_M=763
04/12/2010