terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nota de pesar: Sônia Maria Azambuja Ujacow


Com grande pesar, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul, comunica o falecimento de Sônia Maria Azambuja Ujacow, na tarde de segunda-feira (13), vítima de câncer no peritônio.

Ela tinha 67 anos, era casada com o advogado Josephino Ujacow e mãe da advogada e membro da Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS, Tatiana Ujacow e de Rebeca Azambuja Ujacow.

O corpo foi velado no cemitério Parque das Primaveras, e o sepultamento será nesta terça-feira, às 10h30.

Aos familiares, parentes e amigos, a OAB/MS expressa seu profundo sentimento de pesar e tristeza.


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13 de agosto de 2012 • 17h35 • atualizado às 09h02 • 54 visualizações

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fotos da Reunião sobre o ensino do Direito Indígena nas Faculdades

A reunião para tratar da inclusão da disciplina de Direito Indígena nas faculdades de Mato Grosso do Sul aconteceu na sede da OAB/MS, as 19 horas do dia 09 de agosto de 2012, Dia Internacional dos Povos Indígenas, assim declarado pela ONU em 1995.
E contou com a presença dos membros da Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS, Samia Roges Jordy Barbieri, Wilson Capistrano, Mario Morandi e Arlete Povh, bem como, a ilustre presença do coordenador Dr. Marcelo Salomão da Universidade Anhanguera/Uniderp, Aliscinda Tibério, presidente do Conselho Municipal Indígena, CMDDI e seu ex-presidente Elcio Terena.
Acadêmicos indígenas também abrilhantaram o encontro com opiniões, sugestões e comentários pertinentes. Entre eles, Rute Poquiviqui, que, além de acadêmica indígena também faz parte do Conselho Municipal Indígena de Campo Grande, os acadêmicos Elisangela Candelaria da Silva e Fagner Lira Bizerra, ambos da UCDB, entre outros.












Fonte e foto: Arlete Povh

Audiência Pública debate ensino sobre Direito dos Povos Indígenas

A Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS (COPAI) realiza nesta quinta-feira (9/8) Audiência Pública para discutir implantação de estudos sobre a cultura dos povos indígenas do Estado nas faculdades. O evento acontece às 19 horas, no Plenário da Seccional. De acordo com a presidente da comissão, Samia Roges Jordy Barbieri, será debatido, na presença dos reitores das instituições de ensino da Capital, a importância da inclusão do Direito dos índios no ensino superior.
“Temos a programação de como funcionaria a disciplina na grade dos cursos. É importante educar da base, pois a atual situação dos indígenas é reflexo da falta de conhecimento de sua cultura pelos profissionais”, comentou Samia.
De acordo com a presidente da COPAI, a grade curricular contaria com Princípios Constitucionais, Questões Indígenas no Direito Penal e Direitos Humanos Internacional. Além do debate com os reitores, a comissão da OAB/MS vai disponibilizar uma prévia da cartilha que está em execução sobre os Direitos Indígenas.
 
 
Fonte:
08 de agosto de 2012 • 18h55 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Copai se reune com presidente da OAB/MS para marcar encontro com coordenadores das faculdades de MS


A Comissão Permanente de Assuntos Indíngenas se reuniu nesta quinta-feira, 02 de agosto de 2012, às 8h30, com o presidente da OAB/MS, Dr. Leonardo Avelino Duarte, para solicitar um encontro com todos os coordenadores das faculdades de Mato Grosso do Sul. O objetivo é implantar a Disciplina de Direito Indígena em todos os cursos de Direito do Estado.

A reunião acontecerá às 19 horas, da quinta-feira do dia 09 de agosto de 2012, data escolhida pela Copai justamente por ser o Dia Internacinal do Povos Indígenas (declarado pela ONU em 1995). O evento será  na sede da OAB/MS, Avenida Mato Grosso, 4700.

Da Copai estiveram presentes a presidente, Samia Roges Jordy Barbieri, vice-presidente, Wilson Capitrano e a colaboradora Arlete Povh.







Fonte e imagem: Arlete Povh

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Polícia conclui 2ª fase de investigações e busca localizar corpo de cacique Nísio

Responsáveis pelo assassinato do cacique Nízio Gomes, após um ataque ao acampamento indígena Guayviry no dia 18 de novembro do ano passado, em Aral Moreira, cidade distante a 402 quilômetros de Campo Grande, 23 pessoas foram indiciadas por homicídio qualificado, sendo que 18 já estão presas com mandado de prisão preventiva.
Com parte das prisões, a Polícia Federal de Ponta Porã concluiu nesta semana a segunda fase das investigações do inquérito policial. Além do homicídio, os responsáveis vão responder por ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de testemunhas.
Houve ainda o indiciamento de um funcionário da Funai (Fundação Nacional do Indío), pelos crimes de quadrilha e coação no curso do processo, haja vista ter tentado coagir uma importante testemunha a mudar seu depoimento na polícia.
Como o caso ainda tramita em segredo de justiça, os nomes dos indiciados não serão divulgados pela Polícia Federal, assim como detalhes específicos sobre as investigações.
Dentre os presos, conforme já havia sido divulgado no jornal Midiamax, dez pessoas são ligadas a uma empresa de segurança privada de Dourados, incluindo o proprietário, gerentes e seis fazendeiros da região de Ponta Porã e Aral Moreira. Um destes fazendeiros é presidente de um Sindicato Rural no Estado de Mato Grosso do Sul, havendo também sido preso um advogado do Paraná.
Novas provas colhidas pela PF apontam que efetivamente o cacique Nízio Gomes foi morto no acampamento e seu corpo teria sido levado do local em uma caminhonete, sendo os executores do ataque as pessoas vinculadas à empresa de segurança privada de Dourados. Após isso, o corpo do cacique Nízio Gomes teria sido ocultado pelos fazendeiros que atuaram como “mandantes” do ataque aos índios.
O local onde está o corpo do cacique ainda está sob investigação da Polícia Federal. Pelo que consta, alguns dos fazendeiros presos sabem exatamente onde o corpo estaria escondido, no entanto nenhum deles demonstrou interesse em colaborar com as investigações e informar o local em que teriam ocultado o corpo.
Seria este, de acordo com a PF, um dos principais motivos que justificariam o prolongamento das prisões, já que a estratégia até agora utilizada pelos fazendeiros é de negar qualquer envolvimento com os crimes.
Após a morte do cacique Nízio e a ocultação do seu corpo, alguns dos fazendeiros indiciados tentaram se utilizar de técnicas escusas para dificultar o trabalho da polícia, chegando inclusive a contratar um indígena de outra aldeia para fingir que estava ajudando nas investigações, mas na verdade estava passando informações erradas.
Os fazendeiros e o advogado preso orientaram referido indígena a dizer para a Polícia Federal que o cacique Nízio estava vivo e morando com familiares em uma aldeia no Paraguai, pois na visão deles a polícia nunca iria ter como checar estas informações e com isso iria sempre perdurar a dúvida sobre sua morte.
Entretanto, após um intenso trabalho de investigação, os policiais conseguiram provar ao indígena que ele estava indicando pistas falsas, momento em que ele resolveu falar a verdade de que Nízio Gomes estava morto e que ele havia sido contratado pelos fazendeiros para tentar ludibriar a polícia.
Em troca, os fazendeiros prometeram a ele uma grande quantia em dinheiro (uma parte pequena foi efetivamente paga) além da contratação de um advogado, caso fosse necessário, e ainda fizeram a promessa de que iriam adotar as providências necessárias para elegê-lo vereador nestas eleições.
Antes do ataque ao acampamento Guayviry, este mesmo indígena tinha sido contratado pelos fazendeiros para tentar negociar com o cacique Nízio Gomes a saída do seu grupo em troca do pagamento de uma grande quantia em dinheiro, mas como o cacique não aceitou, os fazendeiros resolveram contratar a empresa de segurança privada para realizar o ataque ao acampamento.
As armas utilizadas no ataque ao acampamento Guayviry foram fornecidas pelos fazendeiros e trataram-se de espingardas calibre 12, com munições classificadas de “menos letal”, entretanto vale ressaltar que se o disparo for feito em curta distancia ou se for utilizada de maneira inadequada, pode ser tão letal quanto uma munição comum.
Uma das pessoas presas que participou da execução do ataque ao acampamento confessou em interrogatório que o cacique Nízio foi atingido por um disparo na região subaxilar e que ele havia participado da retirada do corpo do local do ataque, tendo inclusive verificado o seu pulso e constatado a efetiva morte do índio.
Este indiciado esclareceu, inclusive, que houve pouco sangramento do cacique Nízio, o que se coaduna com o que foi descrito no laudo pericial de que havia pouco sangue no local dos fatos. A Polícia Federal ainda está promovendo diligências no intuito de encontrar o corpo de Nízio Gomes. Durante todo o período de investigações, a Delegacia de Polícia Federal de Ponta Porã/MS recebeu reforço de policiais no contexto da Operação Sentinela para atuar no caso do ataque ao acampamento Guayviry.
Os fazendeiros e o advogado encontram-se presos na Delegacia de Polícia Federal de Ponta Porã, havendo previsão de suas remoções nesta sexta-feira (20) para Estabelecimentos Prisionais no Estado.
Acredita-se que o resultado das investigações no caso da morte do Cacique Nízio Gomes tenha sido um marco no que pertine à forma de resolução dos conflitos pela posse de terras entre indígenas e fazendeiros, pois anteriormente nunca tantas pessoas tinham sido indiciadas e presas no Estado de Mato Grosso do Sul por terem se utilizado da violência para tentar expulsar indígenas da área de fazendas invadidas, servindo como paradigma de que a melhor forma é sempre buscar os meios legais existentes para qualquer resolução de conflitos

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Parecer da AGU coloca em risco demarcação de terras indígenas

Parecer da AGU (Advocacia Geral da União) publicado nesta terça-feira (17) no DOU (Diário Oficial da União) pode anular os processos de demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul. A portaria assegura aos Estados a participação nos processo de demarcação de terras em seus territórios e proíbe a ampliação de reservas indígenas já demarcadas.
Com a medida, processos de demarcação de terras em curso, como no caso da expansão das reservas na região Sul de Mato Grosso do Sul e iniciadas em 2007, podem ser anulados.
A decisão causou indignação no Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que acusa o Governo Federal de inconsequente e irresponsável por determinar a revisão dos processos demarcatórios já em curso e também por colocar “uma pá de cal” no artigo 231 da constituição, que trata das terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas.
Em nota, o Cimi acusa ainda o Governo de “dobrar os joelhos e, rezar cartilha do capital ditada pelo agronegócio”.
Para a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), a medida dá segurança jurídica para a demarcação de terras indígenas, como explica o assessor jurídico da entidade, Gustavo Passarelli. “O parecer da AGU deu segurança jurídica enorme, foi de fundamental importância para esclarecer processo de demarcação”, detalhou.
De acordo com a entidade, Mato Grosso do Sul tem 30 terras indígenas regularizadas, 8 em fase estudo para ampliação. No total, são 46 os territórios indígenas que se pretende criar no Estado.
Segundo o Procurador do Estado de Mato Grosso do Sul, João Barcellos Lima, os estudos demarcatórios precisam ser refeitos, com a participação do Governo local. “Desde o começo dos processos o Estado quer participar desse processo administrativo, para isso é preciso anular o que foi feito e começar do zero, refazendo os grupos técnicos”, comentou.
Barcellos explica que os grupos técnicos da Funai (Fundação Nacional do Índio) serão refeitos, incluindo representantes indicados pela administração estadual. O procurador acredita que a medida deva ser regulamentada dentro de 120.
O Campo Grande News procurou a AGU e a Funai para que comentassem a decisão, mas até o fechamento da matéria não havia retorno por parte das assessorias de imprensa.


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terça-feira, 12 de junho de 2012

OAB/MS representada por Comissão de Assuntos Indígenas em Rio +2011

A Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS (Copai) viaja na próxima semana para participar do Rio +20. A presidente da comissão Samia Roges Jordy Barbieri e a secretária-adjunta Tatiana Azambuja Ujacow Martins fazem parte do grupo de delegados do evento e integrarão, entre os dias 20 e 22 de junho, o Comitê Intertribal: Memória e Ciência Indígena.
“Estaremos na companhia do Marcos Terena no trabalho para mostrar que o índio pode conviver com tradição e modernidade. O trabalho contará com duas ocas, uma espiritual e outra tecnológica”, comentou a presidente da Copai.
Além desta exposição, os representantes da OAB/MS irão abordar no Rio +20 os conceitos de Economia Verde, Desenvolvimento Sustentável e relação entre os povos indígenas no Mato Grosso do Sul e Brasil.
 
 
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11 de junho de 2012 • 18h38 • atualizado às 18h52

quinta-feira, 31 de maio de 2012

STF responde à OAB/MS sobre demarcação de terras

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O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Carlos Ayres Britto, encaminhou à OAB/MS resposta quanto ao pedido de urgência no julgamento da Ação Cível Originária 368. A ação dispõe sobre terras na região de Corumbá, disputadas pelos povos indígenas Kadiwéus e fazendeiros. O ofício de urgência foi enviado ao ministro Celso de Mello, relator da ação.
O pedido de providências foi encaminhado pelo presidente da OAB/MS, Leonardo Avelino Duarte, no dia 8 de maio, tendo em vista a preocupação da entidade, sobre possíveis consequências de conflitos na região de Corumbá, em função da falta de definição legal sobre a matéria.
As Comissões de Assuntos Agrários e Agronegócio (CAAA) e Permanente de Assuntos Indígenas (Copai) da OAB/MS pediram agilidade do STF para que julgue o processo de terras indígenas no Estado. Para a presidente da Copai, Sámia Roges Jordy Barbieri, "produtores rurais e índios são vítimas deste impasse que dura mais de 20 anos". Desde o início do mês, indígenas ocupam fazendas na região de Corumbá e Porto Murtinho, que trazem clima de insegurança na região e ainda dificulta a vacinação do rebanho bovino.
Os produtores rurais entraram com o pedido de reintegração de posse, mas os juízes não apreciaram os pedidos alegando que o processo é de competência do STF. A vacinação do rebanho estava prevista para terminar no dia 15 de junho, mas foi prorrogada por duas semanas devido os conflitos. A Força Nacional e a Polícia Federal estão nos municípios onde há fazendas invadidas.
O presidente do STF assegurou que o pedido foi encaminhado ao ministro Celso de Mello, relator da Ação Cível Originária nº 368, para urgência no julgamento do feito.

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29 de maio de 2012 • 16h33 • atualizado às 18h31

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Com transmissão ao vivo, infância indígena mobiliza protagonistas em audiência

“Nossas crianças veêm suas lideranças serem assassinadas!”, desabafa líder Terena, Alicinda Tibério
No Dia do Índio – 19 de abril – a falta da terra e os reflexos entre os jovens que vivem nas aldeias mobilizaram a a audiência pública “Aspectos Psicossociais da Infância e Adolescência Indígena em Mato Grosso do Sul”, transmitida ao vivo pela TV Assembleia na tarde de hoje. Proposta pelo deputado Pedro Kemp, líder do PT na Assembleia Legislativa, a discussão aberta para a população revelou dados importantes sobre a população indígena.
A professora Guarani, Teodora Souza, da Aldeia Jaguapiru, em Dourados, abordou a falta de ações na Educação, Cultura e Lazer pautadas no conhecimento da cultura indígena. Diante do fato, Kemp afirmou que providências para cobrar do poder público o direito do índio apontar quais os caminhos ele quer seguir, serão tomadas.
A líder terena, de Aquidauana, Alicinda Tibério, hoje moradora em Campo Grande, fez um desabafo ao dizer que os patrícios deixam a aldeia em busca de uma vida com dignidade, mas jamais esquecem suas origens. Ela fez um desabafo ao dizer que: “Nossas crianças veêm suas lideranças serem assassinadas!”
Crescimento populacional x crianças e adolescentes
Segundo o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1991 até hoje subiu de 34% para 80% o número de municípios brasileiros com alguém que se declara indígena.
Kemp explicou que o aumento se deve ao fenômeno etnogênese, na qual o indígena tem assumido sua etnia e recriado suas identidades após esconder durante anos suas origens para enfrentar a exclusão social. “O mais importante é que eles estão se organizando e buscando reafirmar seus direitos”, concluiu o parlamentar, de acordo com reportagem publicada no sitewww.al.ms.gov.br.
Em todo o país, são 813 mil índios. Mato Grosso do Sul é o segundo Estado com maior população indígena (73 mil índios), o que representa 3% do total da população. O Estado continua sendo marcado, segundo o parlamentar, pelos conflitos agrários. “Essa luta tem custado muito para as lideranças das etnias, principalmente os Kaiowás e Guaranis”, levantou.
Nizio Gomes é lembrado em audiência pública 
Kemp citou o caso do cacique guarani Nizio Gomes, desaparecido desde novembro do ano passado. “Temos que repudiar a violência contra os indígenas e prezar pela segurança das comunidades que, apesar de ameaçadas, continuam lutando pelos seus direitos”.
Vulnerabilidade e invisibilidade
Para Kemp, a criança indígena tem ficado invisível, sofrendo a realidade de miserabilidade, fome, alcoolismo e uso de drogas que envolvem os grupos. “O lado mais fraco é a criança e o adolescente que estão mais vulneráveis nesse contexto”.
Hoje, 44% dos índios do Estado, segundo o IBGE, possuem de 0 a 14 anos de idade. “Se essa é a realidade, precisamos discutir políticas públicas e alternativas voltadas para os pequenos índios e vislumbrar um futuro de cidadania porque eles são vítimas fáceis de um caminho que nós não queremos que sigam”, concluiu Pedro Kemp.
Antropólogo faz alerta sobre a presença das drogas nas aldeias
A audiência pública  também expôs a situação dramática vivida por crianças e jovens indígenas de Mato Grosso do Sul como o enfrentamento à violência doméstica que, de acordo com o representante da Funai (Fundação Nacional do Índio), o antropólogo Diógenes Egidio Cariaga, tem se acentuado devido aos problemas com o álcool e drogas entre índios adultos.
“Além de sofrer os mesmos problemas dos adultos, as crianças e os adolescentes estão mais expostos à vulnerabilidade que ocorre dentro do grupo e acabam sendo mais afetados”, afirmou. Conforme o pesquisador, os pequenos indígenas são capazes de perceber todo o contexto da problemática pelo qual se encontram. “Elas entendem que toda a história cultural do seu povo as trouxeram para a extrema vulnerabilidade e pobreza na qual estão hoje”, frisou.
Na opinião do antropólogo, o Estado deve respeitar a forma como é organizada cada sociedade indígena com políticas públicas específicas. “A dinâmica social das comunidades é atravessada pelas ações do Estado, que simplesmente não pede licença, apenas entra e acaba por garantir condições minímas de dignidade. Os indígenas precisam ter sua história e seus direitos respeitados”, considerou.
Conselheira federal de psicologia chama de genocídio realidade de indígenas em MS
Pelo menos 250 índios foram mortos no últimos cinco anos em Mato Grosso do Sul. O levantamento feito pelo Conselho Federal de Psicologia revela, segundo a conselheira e psicóloga social, Flávia Cristina Silveira, a realidade do genocídio dos povos indígenas em todo o Brasil.
Conforme a psicóloga, o olhar estigmatizado e preconceituoso explica os atos de extermínio e prejudica ações de acolhimento da população indígena, principalmente, de crianças e adolescentes indígenas. “Elas são encaradas como o resto e não como parte da população do país”, afirmou.
A ausência de políticas públicas e investimentos, afirma a conselheira, coloca os povos indígenas em uma condição de vulnerabilidade ao etnocídio. “Deixar morrer é uma omissão, o que também é uma forma de matar e nossas políticas públicas. Da maneira como é aplicada tem deixado os índios morrerem”, declarou.
Presidente do CRP14 aborda a violência na luta pela terra
Para a psicóloga, a questão da demarcação das terras ainda é o principal desafio para mudar o cenário sangrento que envolve a luta pelos direitos indígenas. “A sociedade tem que fazer seu papel que é cobrar o Estado e lutar pelas políticas públicas desses grupos”, comentou.
Ela ainda ressaltou que, pelo Brasil, grupos de direitos humanos, estudiosos e pesquisadores já têm se organizado para mudar a realidade dos índios.
Para o presidente do CRP14 (Conselho Regional de Psicologia 14ª), Carlos Afonso Marcondes Medeiros a ação de jagunços, o preconceito, a violência e o abandono sufocam as comunidades indígenas no Estado. A luta pela terra e o caso Nizio Gomes, de Amambai, desaparecido desde o final do ano passado, sintetizam a realidade no Estado, segundo ele.
Posse do ministro da “Raposa Serra do Sol” é emblemática, diz presidenta da Comissão de Assuntos Indígenas da OAB
Para Samia Roges Jordy Barbieri, que preside  a Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul), a posse do ministro Carlos Ayres Britto, ocorrida nesta quinta-feira – Dia do Índio, na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), é sinal de avanço para a questão indígena no País.
 “Teremos um jurista humanista e com ele nasce a esperança de vivermos em um Estado desenvolvimentista, mas com uma identidade cultural”, declarou.
Ela lembrou a decisão do STF assinada por Ayres pela demarcação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e a desocupação de produtores rurais do local.
Na época, em seu voto, o ministro Ayres Britto qualificou de “falso” o pretenso antagonismo existente entre os índios e o desenvolvimento. Em seu discurso, lembrou que os índios ajudaram a defender o território brasileiro contra franceses e ingleses e que se comete uma “injustiça histórica” ao não reconhecer que eles tiveram — e têm — contribuição importante para consolidação e desenvolvimento do país. O ministro definiu os indígenas como co-autores da ideologia nacional.
“O relatório do ministro Ayres foi uma verdadeira aula de Direito Indígena”. Samia defende que a sociedade aceite o desenvolvimento com a complementação de culturas. “É necessário uma visão etno sustentável onde produtos advindos de terras demarcadas tenham selo verde e sejam valorizados aqui e lá fora”.
Foram cerca de quatro horas de discussões e os pontos mais polêmicos deverão ser elaborados para que os gestores públicos possam desenvolver ações eficazes juntos às crianças e adolescentes indígenas no Estado. 

Fonte:
(Jacqueline Lopes com www.al.ms.gov.br)

OAB/MS pede urgência ao STF em ação de Reserva Kadiwéu

O OAB/MS solicitou, nesta terça-feira (8), através de requerimento, urgência ao STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento da Ação Cível Ordinária (ACO) nº 368, que trata do registro da Reserva Indígena Kadiwéu, na região de Corumbá, e evitar novos confrontos.
A Seccional de Mato Grosso do Sul se manifestou após decisão da ACO nº 312, que tratava da dos índios pataxós no Sul da Bahia, similar à situação no território sul-mato-grossense. No caso baiano, a Suprema Corte deu ganho de causa aos indígenas.
Para a OAB/MS, a decisão tem caráter ainda mais urgente frente aos recentes conflitos entre indígenas e pecuaristas na região. A reserva pertence à União, contudo existem títulos de propriedade em nome de fazendeiros desde a metade do século XX. As terras estão desde 1984 homologadas e registradas como Reserva Indígena Kadiwéu. A decisão é necessária para resolver de forma definitiva a indefinição jurídica.
Segundo o requerimento enviado pela OAB/MS ao STF, o julgamento da ACO nº 368, relativa à Reserva Kadiwéu, é essencial para evitar maiores confrontos e mortes na região pantaneira. Neste sentido, foi solicitado a inclusão da temática na pauta de julgamento da Suprema Corte de forma imediata.