quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Usina de Sidrolândia é condenada em R$ 5 milhões por aliciamento de adolescentes indígenas

Sentença da Vara do Trabalho de Amambai condenou a Agrisul, conhecida como Usina Santa Olinda, a não mais contratar trabalhadores adolescentes e ao pagamento de dano moral coletivo no valor de R$ 5 milhões. Adolescente obrigado a trabalhar no corte de cana


Campo Grande (MS), 15/09/2011 – Sentença do juiz substituto da Vara do Trabalho de Amambai, Antonio Arraes Branco Avelino, condenou a empresa Agrisul Agrícola Ltda e a Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA) de Sidrolândia, conhecida como Usina Santa Olinda, ao pagamento de indenização por dano moral coletivo, no valor de R$ 5 milhões, e a não mais contratar trabalhadores adolescentes para o corte de cana.

A ação foi proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após constatação das irregularidades em operação realizada em novembro de 2009, nas aldeias indígenas Bororó, Panambizinho e Jaguapiru, no município de Dourados, na qual foram flagrados ônibus que transportavam adolescentes para o corte de cana na usina Santa Olinda, localizada no distrito de Quebra Coco, em Sidrolândia.

O ônibus circulava pelas aldeias recolhendo indígenas para trabalhar na usina. Na ocasião, o MPT identificou os adolescentes, que, para trabalhar, receberiam documentos de outras pessoas, maiores de 18 anos, fornecidos pelo cabeçante, responsável pela intermediação e fiscalização do trabalho dos outros indígenas.

A ação relata o caso de mortes de adolescentes indígenas decorrentes do trabalho ilegal no corte de cana-de-açúcar em usinas de Mato Grosso do Sul. Um desses adolescentes, então com 16 anos, obrigado a trabalhar contra a sua vontade, cometeu suicídio, atirando-se do ônibus que o levaria até a frente de trabalho. Em razão desses fatos, o MPT ajuizou ação, na qual pedia que as empresas passassem a identificar os indígenas para evitar a contratação de adolescentes de forma fraudulenta, por meio do uso de documentos de adultos.

Além da exploração do trabalho dos adolescentes indígenas, foram comprovadas irregularidades como atraso no pagamento de salários, jornadas de trabalho acima do permitido pela lei, não pagamento de rescisões contratuais e descumprimento de normas de segurança no trabalho. Também foi constatado que, em alguns casos, os pagamentos não eram feitos diretamente aos indígenas, mas aos donos de mercado, cabeçantes, capitães das aldeias ou aos familiares do trabalhador. O local de trabalho a que estavam submetidos os adolescentes oferecia riscos, como violência, drogas e bebidas.

De acordo com a sentença, o valor de R$ 5 milhões é necessário para servir de caráter punitivo-pedagógico para o comportamento da empresa. O juiz também determinou que a Fundação Abrinq, entidade civil voltada para os direitos das crianças e adolescentes da qual o presidente da empresa, José Pessoa Queiroz Bisneto, é sócio, seja informada da condenação.

Para a procuradora do Trabalho Cândice Gabriela Arosio, “a sentença é uma grande vitória no combate a exploração do trabalho infantil e de adolescentes, principalmente em atividades que estão relacionadas na lista das piores formas de trabalho. Ademais, a questão envolve os direitos da população indígena, que reiteradamente sofre com os efeitos da exclusão e da pobreza”.



Fonte: Ascom MPT / Mato Grosso do Sul
Mais Informações: (67) 3358-3034
Publicação: 15/09/2011

Última atualização: 15/09/2011

terça-feira, 13 de setembro de 2011

‘Caminhões de homens’ atacam brutalmente indígenas no Brasil

Os ataques têm forçado os Guarani a enfrentar o perigo de atravessar um rio usando apenas uma corda estreita para conseguir comida.

© MPF/Survival



A Survival International tem recebido notícias de que caminhões cheios de homens armados estão usando violência para forçar índios Guarani do Brasil a fugir de suas terras, temendo por suas vidas.

O antropólogo Tonico Benites disse à Survival: ‘O risco de vida é iminente. A qualquer momento, uma criança pode morrer'.

Benites relatou que seu tio ficou cego de um olho depois de um recente ataque contra as comunidades de Pyelito Kuê e M'barakai, no estado de Mato Grosso do Sul.

Os Guarani afetados pela violência descreveram que foram forçados a correr para garantir sua segurança, depois que tiveram suas barracas incendiadas, roupas queimadas, e famílias ameaçadas.

Um Guarani contou que ‘Faroletes e lanternas estão focando pra lá e cá, as crianças e idosos não conseguiram correr. Os meus olhos enlagrimando (sic) escrevi este fato. Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil'.

Segundo informações, pistoleiros têm bloqueado estradas, destruído uma ponte que dá acesso aos índios e, assim, cercando os Guarani e impedindo a entrada de comida e assistência médica.


Os restos de uma barraca dos Guarani, incendiada durante um ataque de pistoleiros
 © MPF/Survival

Esse é apenas um de uma séria de ataques que vêm acontecendo contra este grupo de Guarani desde o início de agosto de 2011. Os ataques são respostas à tentativa dos índios de reocupar sua terra ancestral, roubada na década de 1970 e ocupada por fazendeiros.

Os Guarani também foram perseguidos em 2003 e 2009 quando tentaram reocupar sua terra ancestral.

O Diretor da Survival, Stephen Corry, disse: 'É chocante que os Guarani sejam repetidamente perseguidos por tentarem reocupar a terra que os pertence. O governo brasileiro deve atuar rapidamente, antes que mais vidas inocentes sejam perdidas'.

O governo do Brasil tem condenado os atos de violência. A Survival escreveu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pedindo para que medidas urgentes fossem tomadas para proteger os Guarani, e ao Ministério da Justiça do Brasil, urgindo para a demarcação de suas terras, como estabelecido na própria constituição brasileira.



Fonte:
Leia sobre esta historia na página Survival na internet (em inglês):


Para mais informações e imagens, por favor entre em contato com Sarah Shenker (em inglês ou português) no telefone (+44) (0)20 7687 8735 ou por email ss@survivalinternational.org
Survival International
6 Charterhouse Buildings
London EC1M 7ET
United Kingdom

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Seccional busca solução de consenso para disputa entre indígenas e proprietários rurais

Veículos de comunicação de Mato Grosso do Sul informam nesta segunda-feira, 12 de setembro, que há conflitos de terra em pelo menos dezessete Municípios do Estado. Nestes Municípios há 47 áreas de conflito. A grande questão é que as terras objeto de disputa são tidas como propriedade de etnias indígenas, o que legalmente as torna propriedade da União.

Os proprietários rurais dessas áreas, entretanto, alegam possuir títulos das terras, fato que lhes confere o direito de exigir indenização para restituí-las aos indígenas. Assim, está formado o conflito, para o qual a Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS) busca uma solução de consenso.

Para Lucas Aber, presidente da Comissão de Assuntos Agrários da OAB, “os advogados que militam nessa área de disputa de terras entre indígenas e produtores rurais estão entre a cruz e a espada. Pois a União alienou as terras”.

Segundo ele “o grande divisor de águas foi o caso Raposa Serra do Sol, uma área gigantesca situada em Roraima, onde aconteceram várias mortes de indígenas e brancos, por essa disputa. Nessa época o STF tomou a decisão final e deixou claro que todas as propriedades de imóveis rurais com escritura pública desde 1988 seriam dos proprietários. Mas a lei deixou em aberto a decisão final: cada juiz teria por si a decisão que lhe achasse mais correta, conveniente. Portanto, hoje a guerra continua porque os juízes têm o poder de decisão a favor ou contra proprietários e indígenas”.

Há também na OAB/MS uma Comissão de Assuntos Indígenas. Sua presidente, Sâmia Barbieri, afirma que “não devemos propagar essa política de ódio; isso não é bom para ninguém. Nós temos uma guerra de duas vítimas, fazendeiros de boa índole e indígenas sacrificados pelo tempo. A responsabilidade é do Estado que precisa demarcar essas terras e resolver o problema. Estamos andando em círculos —precisamos nos posicionar. Não estamos fazendo uma boa lição de casa”.

Para advogada, “até agora só impera o diálogo do mais forte. A OAB está buscando uma posição isenta e de consenso”. Para Barbieri, “está acontecendo um genocídio no nosso Estado e no país, onde as estatísticas mostram claramente quem está morrendo. A comissão vai continuar lutando para que o direito humano seja cumprido”.

Para o presidente da OAB de Mato Grosso do Sul, Leonardo Duarte, “nessa disputa, os dois lados são perdedores. Os indígenas porque acabam tendo que lutar por sua terra ancestral; os proprietários rurais porque têm que entrar numa disputa ainda que possuam títulos expedidos pelo Estado”.

Leonardo Duarte considera “contraditório que essas terras, embora tenham títulos, não sejam indenizadas, até porque foram adquiridas de boa fé; e que, por outro lado, não se atenda a demanda dos povos indígenas, proporcionando a eles o que lhes é de direito”.




Fonte:
12 de setembro de 2011 • 18h24 • atualizado às 18h31

sábado, 10 de setembro de 2011

6ª Aldeia SESC Terena de Artes Territórios da Cultura

Programação de 08 a 17 de Setembro de 2011, Sesc do Horto, Rua Anhanduí, 200.
Shows, Artes Visuais, Literatura, cinema e artesanato

Programação a partir das 19h
Alguns espetáculos terão entrada franca, outros com preços que variam de R$ 7,00 a R$ 14,00 por pessoa.
Maiores informações pelo telefone: (67) 3357-1200, Ramal 212/213


Fonte:
Sesc Horto - MS

Índios guaranis abrem, em Dourados, o 3º Festival Internacional de Teatro

A dança guarani "Ñanderu Guasu Oipytyvõ Ika’ aguyre" abriu, na noite de ontem (9), no auditório da UFDG, o III Festival Internacional de Teatro de Dourados. A simbologia dos elementos da terra, da fauna e da flora estiveram no palco do cine-auditório da Universidade Federal (UFGD) e apresentaram à plateia toda a riqueza da cultura indígena sul-mato-grossense.

O 3º FIT Dourados vai até o dia 18 de setembro e durante dez dias serão realizados na cidade vários espetáculos, com grupos do Brasil e do exterior. A dança indígena, apresentada em forma de teatro, por alunos da escola municipal Araporã, foi uma mostra do intercâmbio cultural que estará em destaque no festival. O harpista douradense Rafael Deboleto Rodrigues também se apresentou na abertura.

Respirar cultura - A presidente do Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura (Idac), June Torres, disse durante o lançamento que a cultura é uma forma de manter viva a história e a realidade de um povo. “Chegamos na terceira edição com a proposta de fazer com que Dourados respire cada vez mais a arte e a cultura”, ressaltou ela em seu discurso. June Torres agradeceu àqueles que se empenharam para a realização do evento e destacou a Caixa Econômica Federal, patrocinadora do festival.

O vice-reitor da UFGD, professor Wedson Desidério Fernandes, também destacou a importância do festival, como proposta para trazer um pouco daquilo que a cidade de Dourados é carente: cultura. “Desde a implantação da UFGD em 2006 construímos uma identidade de cultura e a nossa proposta é fazer com que cada vez mais a cidade possa respirar a sua identidade, a sua história, tão essencial para o registro e a memória de um povo”, discursou o vice-reitor.

Programação e locais - Os espetáculos do 3º Festival Internacional de Teatro serão apresentados em diferentes locais. A praça pública Antonio João é uma delas, assim como a feira livre da Rua Cuiabá. A Aldeia Bororó também será palco de apresentações.

Durante a abertura ontem, o poeta e ator Emmanuel Marinho, coordenador do festival, apresentou a programação do FIT. Ele destacou que os espetáculos são sucesso por onde passam, pois reúnem grupos teatrais do Brasil, Paraguai, Peru, Bolívia e França. Entre as atrações regionais há dois grupos de teatro de Campo Grande. Um deles é o Circo do Mato, que vai apresentar o espetáculo "Os Corcundas", e o outro é a Cia Jair Damasceno, que vem com a peça "CALABoca! E grita".

Ainda entre os atrações nacionais, se destaca a participação do grupo baiano ViaPalco, com o espetáculo de rua "Circo de um Homem Só". Entre as internacionais está o “Lo que más me gusta de Federico”, um recital de poemas acompanhado por instrumentos musicais. (*Com informações do site DouradosAgora)


Fonte:
10/09/2011 09h17

Fazendeiros de Iguatemi acusam índios de ameaças em ofício ao MPF

Ofício foi enviado após ataque que, segundo índios,destruiu acampamento

Acampamento foi destruído pelo fogo dia 23 de agosto. Ofício do sindicato foi enviado no dia 30. (Foto: Divulgação MPF)

Dois ofícios encaminhados entre o dia 30 de agosto e o dia 5 de setembro ao MPF (Ministério Público Federal), com cópia para autoridades federais e estaduais, colocam novos ingredientes na conturbada relação entre índios e fazendeiros em Iguatemi, na região Sul do Estado, onde um inquérito da PF (Polícia Federal) apura um ataque a indígenas acampados em uma área pública. Em um dos documentos, enviado no dia 30 de setembro, o Sindicato Rural de Iguatemi, acusa os índios de estar ameaçando as famílias, com foices e facões.

No texto, a entidade pede providências à Secretaria de Justiça e Segurança Pública e investigação por parte do MPF e da Polícia Federal.

O documento alega que as famílias que vivem nas fazendas da região estão com medo que fatos recentes estão tirando a “paz” e a tranquilidade” das noites.

O ofício diz que o clima de medo começou no dia 16 de agosto, quando policiais federais e funcionários da estiveram na região, a procura de índios. Depois, conforme escrito, no dia 22 de agosto, os moradores das fazendas da região avistaram indígenas em uma camionete. Os mesmos índios, conforme relatado, foram vistos por dois ou três dias depois e que permanecem na região.

Ainda de acordo com o texto, o grupo atira pedras nos veículos que trafegam pelo local e “fez chegar” até as casas a informação de que elas poderiam ser invadidadas.

Diante disso, conforme o sindicato, moradores não estariam mais dormindo em suas casas.

Acampamento destruído-O período dos fatos relatados pelo ofício coincide com o ataque que índios acampados próximos à fazenda Margarida, área reivindicada como indígena, sofreram no dia 23 de agosto.

O acampamento foi destruído por fogo e indígenas saíram feridos, entre eles crianças, conforme o MPF divulgou. Em razão disso, o órgão pediu à Polícia Federal abertura de inquérito sobre o episódio, apontado como crime de genocídio.

O inquérito está em andamento na Polícia Federal de Naviraí. O ataque não é citado no ofício do Sindicato Rural.

Dias antes desse documento, a entidade havia encaminhado outro ofício, no dia 30 de agosto, pedindo cópia do relatório antropológico feito pela Funai (Fundação Nacional do Índio) como parte do processo para reconhecimento da terra como indígena. No texto,a entidade afirma que não foi dada publicidade aos fazendeiros da região sobre os estudos, o que fere a Constituição.

Os ofícios foram encaminhados ao procurador Marco Antônio Delfino, de Dourados, e ao procurador-chefe do MPF, Ramiro Rockenback. O órgão ainda não se manifestou sobre o que vai ser feito.

O **Campo Grande News* tentou falar com o presidente do Sindicato, Márcio Margatto, e a informação é de que ele está viajando.



Fonte:
09/09/2011 17h55

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Copai cobra providências sobre atentado a ônibus de estudantes indígenas

A Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS (Copai) solicita mais empenho nas investigações do atentado ao ônibus escolar, ocorrido no dia 4 junho, no município de Miranda. O veículo que estava com 30 estudantes indígenas foi atacado e incendiado deixando diversas pessoas feridas.



Uma delas, Lurdesvoni Pires, de 28 anos, teve 70% do corpo queimado. A indígena, que estava internada há dois meses, na Santa Casa de Campo Grande, morreu no final da tarde desta terça-feira (23). Ela deixou quatro filhas pequenas, com 13, oito, seis e três anos de idade, que ficarão com a avó materna provisoriamente.



De acordo com testemunhas, em uma curva de estrada de chão na aldeia Babaçu, o ônibus escolar passou e alguém (não se sabe quantas pessoas) ateou uma espécie de tocha em chamas dentro do veículo escolar. O atentado ocorreu no território indígena Cachoeirinha, onde vivem 6 mil índios que habitam seis aldeias.



No início da investigação, especulou-se a hipótese do ataque ter sido motivado por uma briga envolvendo moradores da aldeia Babaçu contra os habitantes da aldeia Argola. A causa da suposta desavença, contudo, não foi revelada. A Polícia Federal assumiu as investigações e não descarta também a possibilidade do crime estar ligado à questões de terras. Ainda não há qualquer informação acerca do avanço das investigações.



A presidente da Copai, Samia Roges Jordy Barbieri, afirmou que a Comissão juntamente com o Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas irá acompanhar o caso e cobrar providências urgentes. “Estamos consternados, porque essa é uma situação muito séria, que não pode ficar sem um tratamento adequado. É necessário descubrir o autor, puni-lo e assegurar que novos episódios aconteçam”, afirma Samia.



Fonte:
25 de agosto de 2011 • 09h34 • atualizado às 11h57

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Índios são proibidos de falar guarani em escolas da Capital, denuncia Pedro Kemp

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) denunciou na manhã desta quinta-feira (1°) que índios da etnia Guarani Kaiowá foram proibidos de falar guarani na escola onde estudam, em Campo Grande. A denúncia foi feita durante sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

O parlamentar explicou que três indígenas, da etnia Guarani Kaiowá, estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos) na Escola Municipal Nerone Maiolino, foram proibidos pela direção da unidade escolar de usar a língua materna – o guarani – dentro e fora da sala de aula e obrigados a assinar um documento acatando a determinação.

Kemp explicou em tribuna que essa determinação afronta a Constituição Federal de 1988 e citou trechos do artigo 231 da CF/88. “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”, disse.

O petista pretende apresentar na próxima sessão legislativa uma indicação à Secretaria Municipal de Educação, cobrando providências sobre o caso, além de encaminhar um ofício às autoridades do município, relatando a denúncia e exigindo o cumprimento dos direitos indígenas, garantidos pela Constituição Federal.



Fonte:
01/09/2011 12:07
Eduardo Penedo

Índios são proibidos de falar guarani em escola de Campo Grande

Três índios denunciaram que foram proibidos de falar o guarani nas dependências da escola municipal Nerone Maiolino, onde cursam o EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Os guarani-caiuá também foram obrigados a assinar um documento acatando a determinação. Um dos alunos é Laucídio Nelso. “Ele não sabia ler nem escrever e decidiu estudar”, conta Leda Rodrigues, esposa de Laucídio. O casal mora na aldeia Água Bonita, em Campo Grande.

A situação foi denunciada ao deputado estadual Pedro Kemp (PT). O parlamentar vai pedir explicações à secretaria municipal de Educação. “Os índios têm direito de falar a língua deles”, afirmou Kemp durante sessão na Assembleia Legislativa.

Conforme a Constituição Federal, “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

A reportagem entrou em contato com a escola Nerone Maiolino, mas a diretora estava em reunião.
 
 
Fonte:
Aline dos Santos

MPF investiga novo ataque a índios acampados em Iguatemi

O grupo de índios guarani kaiowa que havia ocupado área na divisa entre as fazendas Maringá e Santa Rita, em Iguatemi, no início de agosto, sofreu novo ataque de “capangas”. A ação deixou indígenas feridos a tiros e está sendo investigada pela Polícia Federal e acompanhada pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio).

Polícia Federal, MPF e Funai ainda preparam os relatórios com informações oficiais sobre o caso, no entanto, o procurador da República em Dourados, Marco Antônio Delfino de Almeida, confirmou que, em visita ao local onde estão acampados os indígenas, ficou constatado que realmente houve confronto e que várias pessoas foram feridas a tiros.

“Essa questão de posse [da terra] é sempre complicada, vamos avaliar se vai ter um final amistoso, mas primeiramente, temos que averiguar a responsabilidade pelos ataques e punir os culpados”, comentou o procurador.

O ataque da semana passada foi o segundo sofrido pelo grupo de indígenas. No primeiro, dia 14, eles foram expulsos do acampamento na divisa das fazendas e permaneceram vários dias escondidos na mata. Agora, de acordo com informações da FUNAI, permanecem acampados às margens de uma estrada rural, fora das fazendas.

Os indígenas reivindicam a demarcação de área do tekoha (terra tradicional) Pyelito Kue. Na mesma região já houve violentos confrontos pela posse da terra, em 2003 e 2009.



Fonte:
01/09/2011 18:17