quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Índios e entidades protestam nesta 4ª feira contra invasão de acampamento

Grupo vai se reunir na entrada do município de Aral Moreira e caminhar sete quilômetros

Índios e representantes de entidades nacionais farão protesto nesta quarta-feira contra o atentado aos guaranis no acampamento Guaiviry, em Aral Moreira.

Cerca de 600 pessoas devem participar do movimento. Eles irão se reunir na entrada do município de Aral Moreira e caminharão sete quilômetros até o acampamento.

“Estamos aqui para mostrar que eles não estão mais sozinhos. Vamos mostrar a união dos povos indígenas. A gente veio mostrar força e cobrar do governo e a da justiça uma atitude para que as mortes de indígenas não continuem acontecendo”, disse o líder dos indígenas da região Sul do país, Kretã Kaingang.

Também participa do movimento a coordenação dos indígenas da Amazônia brasileira.

A invasão do acampamento ocorreu no dia 18 de novembro. Desde então, o líder indígena Nísio Gomes está desaparecido. Para os índios, ele foi morto. A PF (Polícia Federal) trata o caso como desaparecimento.

Na ação, foram utilizadas balas de borracha. Na semana passada, quando uma comitiva da Secretaria dos Direitos Humanos visitou o acampamento, foi definido que os índios seriam mantidos sob proteção da Força Nacional de Segurança.

Posteriormente, foi firmado um acordo entre os donos da fazenda onde estão, a Nova Aurora, permitindo a presença dos índios e assegurando o trabalho na lavoura dos funcionários da propriedade.



Fonte:
30/11/2011 07h28

Comissão de Direitos Humanos da Câmara fará audiência em MS após ataques contra indígenas

A CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados realizará uma audiência em Dourados neste final de semana com o objetivo de averiguar situações de violência aos povos indígenas do Mato Grosso do Sul.

A informação foi confirmada esta tarde por lideranças indígenas da região, que articularam a vinda dos deputados.

Na sexta, a comissão se reunirá com lideranças indígenas da região de Dourados. No dia seguinte, seguem para o acampamento Tekoha Guaiviry, que foi atacado por homens fortemente armados no último dia 18.

Na ocasião, o cacique Nísio Gomes, de 59 anos, foi executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros e até o momento não foi encontrado.

Já nesta segunda-feira, dois homens em uma moto preta atiraram contra índios acampados na região de Iguatemi, em Puelito. Ninguém se feriu.


Fonte:
29/11/2011 19:07

Relatório do IV Fórum de Educação Escolar Indígena realizada em Campo Grande-MS, nos dias 29 e 30/09 e 01/10/2011

Organização de Professores Indígenas de Mato Grosso do Sul - FEIMS

Relatório do IV Fórum de Educação Escolar Indígena realizada em Campo Grande-MS, nos dias 29 e 30/09 e 01/10/2011

Nas avaliações e discussões abordadas no IV Fórum de Educação Escolar Indígena de Mato Grosso do Sul, verificou-se avanços e desafios para a para a efetivação e consolidação da qualidade da Educação Escolar Indígena no Estado do Mato Grosso do Sul.

Segue as avaliações seguindo o cronograma do evento.

1 - dia 30. Avaliação do como está à implementação da EEI nos municípios de MS (Ensino Fundamental e Ensino Médio). 2 – dia 30. Quais são as estratégias de implementação das EEI nas Aldeias Urbanas e Aldeias indígenas. 4 - dia 30. Propostas e Diretrizes Ensino Médio:

Que o Estado de Mato Grosso do Sul e os municípios, procurem respeitar a diversidade étnica e cultural dos povos indígenas e para isso, é necessária, a permanência constante de representantes indígenas nos conselhos e comissões criadas pelo Estado e Municípios que discutem políticas públicas para a educação escolar indígena, assim como nas comissões que debatem sobre a organização do controle social.

Proposta de construção de escola nas Aldeias Urbanas que respeite a diversidade étnica que compõe as comunidades;

Criação e implementação de um Ensino Médio específico que tenha capacidade de inter-relação entre os conhecimentos tradicionais da comunidade, e que a formação de seus alunos, possa ser refletida na comunidade indígena.

Que o estado garanta recursos para discussões nas Aldeias para equacionar e definir o que as comunidades indígenas desejam para a Educação Escolar Indígena. Nesse sentido, faz-se necessário a reorganização e reformulação dos Projetos Pedagógicos das escolas indígenas.

Garantir um período na escola onde os professores possam refletir sua prática pedagógica, pesquisar e produzir materiais didáticos para seus alunos;

Criar propostas para incentivar as práticas culturais com as crianças na escola;

Que a escola seja um centro de pesquisa dos saberes tradicionais;

Desvincular a Associação de Pais e Mestres da ideologia do Estado;

Que seja oferecido curso na área da educação especial aos professores indígenas, tanto nos cursos de formação inicial e formação continuada, visto que, tem um crescente número de alunos com necessidades educativas especiais incluso nas escolas;



3 – dia 30. Retomar a Criação do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena;

Fortalecimento e continuidade do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Mato Grosso de Sul ou transformar a Comissão Gestora do Território Etnoeducacional em Conselho deliberativo sobre Educação escolar Indígena.

Fortalecimento da categoria de professores indígenas e do movimento indígena, para que em unidade, possam buscar um maior espaço de representantes indígenas nos órgãos públicos que trabalham com as sociedades indígenas no Estado e Municípios. Para isso faz-se necessário também fortalecer as decisões nas aldeias, a fim de equacionar e buscar união em todos os âmbitos.

Efetivar em cada município e no estado um núcleo de educação escolar indígena; conforme compromisso assumido pelos prefeitos/ secretários de educação pactuado no Plano de Ação do TEE Povos do Pantanal e Cone Sul;

5 - dia 30. Formação de Professores: Nível Médio Magistério e Ensino Superior e 7 – dia 30 Acesso e permanência dos alunos no Ensino Superior e Pós-Graduação

Faz-se necessário a capacitação de professores indígenas, para que esses possam ser também os formadores dos cursos específicos para formação de professores indígenas;

Que o Governo Federal através da Coordenação de Educação Escolar Indígena e Instituições financiadoras como CAPES, CNPq, FUNDECT, Observatório da Educação escolar Indígena crie o fundo de financiamento especifico para a Pós-Graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado) de acadêmicos, proporcionando condições dignas para garantir o acesso e permanência dos indígenas na academia, e assim, contribuir para a recuperação das memórias históricas culturais de seu povo.

É preciso que o governo do estado de Mato Grosso do Sul reformule uma proposta de bolsas para de fato garantir a permanência dos acadêmicos indígenas no Ensino Superior, não apenas na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, mas, que essas bolsas possam vir a auxiliar os acadêmicos das demais instituições privadas do Ensino Superior.

Buscar fortalecimento e permanência dos cursos de Licenciatura Indígena Povos do Pantanal e da Licenciatura Indígena Teko Arandú.



1 – dia 01. Concurso Público Estadual Diferenciado Para Professores Indígenas (propostas): A Comissão criada no IV Fórum de Educação Escolar Indígena deverá discutir e elaborar critérios para o concurso público diferenciado em colaboração com a Comissão Gestora do Território Etnoeducacional.

Dia 01 Comunidades Indígenas e a organização política: Outras questões apresentadas pelos indígenas no IV Fórum;

Registra-se, a falta de apoio, financiamento e presença do representante da Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul, e das demais agencias competentes para o desenvolvimento do IV Fórum de Educação Escolar Indígena do Mato Grosso do Sul.

Os representantes do Governo Federal na FUNAI, em especial a de Campo Grande, precisa apoiar as lutas dos povos indígenas na defesa de seus direitos e não mandar prendê-los, em se tratando das questões fundiárias no Estado do Mato Grosso do Sul.

Refletir sobre outras formas de gestão para a educação escolar indígena, sem estar pautada em um poder centralizador.

As escolas indígenas precisam promover estudos sobre a legislação educacional e os direitos indígenas com todos os segmentos da comunidade escolar;

As escolas juntamente com as Secretarias municipais e estadual precisam realizar seminários locais para que a comunidade compreenda o que é Educação Escolar Indígena;

Mostrar que a escola diferenciada não é um retrocesso para a comunidade indígena, mas sim, um diálogo necessário entre os diferentes saberes e uma riqueza cultural para a sociedade e para o país;

Ter uma comissão específica em cada aldeia para o trabalho de conscientização;

Participação dos professores nas reuniões das lideranças indígenas e de lideranças nas reuniões de professores;

Adequar às avaliações externas nacionais (Provinha Brasil) as realidades regionais indígenas.

Implementar a categoria de Escola Indígena e de Professores Indígenas, nos municípios e no estado; Observarmos que a categoria escola indígena existe em nível de estado (Decreto estadual nº 10.734, de 18 de abril de 2002), porém, não foi implementada a categoria de professor indígena, existindo a necessidade de cobrar do Governo Estadual, pois é assegurado através da Deliberação CEE/ MS nº 6.767 de 27 de outubro de 2002. Nos municípios precisa legislar embasada nos decretos, pareceres da esfera federal e estadual ligada à educação.

Criar uma comissão que organize o próximo Fórum juntamente com a Diretoria da FEIMS, discuta o concurso publico específico para os professores indígenas no âmbito da Educação Básica e que também possa acompanhar e encaminhar as discussões levantadas durante IV Fórum de Educação Escolar Indígena de Mato Grosso do Sul junto ao Estado, Municípios e a União, e, demais instituições responsáveis pela educação escolar e de formação.

Representantes da comissão:

Onides Velario Borvão – Tacuru

Angelica Garay Ferreira – Tacuru

Eliel Benites – Caarapó

Renata Castelão – Caarapó

Itamar Jorge Pereira – Campo Grande

Adierson Venâncio Mota – Campo Grande

Alice dos Santos Mendes – Aquidauana

Roseli Pereira Dias – Aquidauana

Célia Metello Pereira – Miranda

Maria de Lurdes Elias – Miranda

Cristiane Machado Ortiz – Dourados

Zélia Regina Benites - Dourados



3 – dia 01. Eleição para representantes indígenas na Comissão Gestora do Território Etnoeducacional: Povos do Pantanal

Através da criação dos grupos de trabalho para discussão dos Territórios Etnoeducacionais, durante o IV Fórum de Educação Escolar Indígena do Mato Grosso do Sul, atendendo a Portaria 934 de 13 de julho de 2011, a comunidade indígena indicou os seguintes representantes para a Comissão Gestora do Território Etnoeducacional Povos do Pantanal;

Representantes da etnia terena

Titular: Celinho Belizário - Miranda

Suplente: Gerson Pinto Alves – Dois Irmãos do Buriti

Representantes do município de Aquidauana

Titular: Valdevino Gonçalves Cardozo

Suplente: Celma Francelino Fialho

Representantes do município de Campo Grande

Titular: Esmael Custódio Terena

Suplente: Jonivaldo Alcântara Pinto

Representantes do município Dois Irmãos do Buriti

Titular: Ana Sueli Fermino Delgado

Suplente: Romilso André Vitorino

Representantes do município de Miranda

Titular: Genésio Farias

Suplente: Elizeu Sebastião

Representantes do município de Anastácio

Titular: Dóris Paulo Ortiz

Suplente: Marinês Rodrigues Leandro



Registramos que a Organização de Professores Indígenas de Mato Grosso do Sul, no IV Fórum, recebeu como doação 300 pratos e 300 colheres da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande, bem como, a doação de 6 (seis) livros do Observatório da Educação escolar Indígena da UCDB para a venda em apoio à Organização, e, ainda, contribuição de oitenta e cinco reais dos professores indígenas de Dourados, 50 reais dos professores indígenas da Aldeia de Água Branca, município de Aquidauana e 100 (cem) reais da Associação dos Professores Indígenas da Aldeia Limão Verde, município de Aquidauana.

Definiu-se no final do IV Fórum que a primeira reunião da Comissão de Discussão e Encaminhamentos, será realizada em Dourados no dia 05 de novembro de 2011.

Foi aprovado pela assembléia que o V Fórum Estadual de Educação Escolar Indígena de 2012 será realizado no primeiro semestre no Município de Caarapó/MS.







Teodora de Souza – Vice Presidente da FEIMS

Elcio Da Silva Júlio – Presidente do CMDDI/MS

Pela Comissão Organizadora do IV Fórum da EEI/MS



Campo Grande, 01 de outubro de 2011



sábado, 26 de novembro de 2011

OAB-MS cria Comitê Nacional em Defesa da População Indígena

O Plenário da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Mato Grosso do Sul OAB-MS, sediou nesta quinta-feira 24/11/2011 debate sobre a criação do Comitê Nacional em Defesa da População Indígena de Mato Grosso do Sul – Condepi-MS.

O Comitê tem por objetivo defender a população indígena contra todas as formas de violência, seja causada por determinado grupo ou poder público, protegendo a integridade, como povos distintos, em auxílio da preservação de valores culturais e identidade étnica.

A reunião foi coordenada pela defensora pública Neyla Ferreira Mendes integrante da Comissão de Direitos Humanos e pelo Vice-Presidente Wilson Capistrano da COPAI/OAB-MS (Comissão Permanente de Assuntos Indígenas), visando dar encaminhamento legal ao conflito que envolve a etnia guarani-caiouá no sul do Estado.

Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população de índios do país, com mais de 68 mil pessoas distribuídas em 75 aldeias e 31 acampamentos indígenas com mais de 1,200 famílias vivendo em condições subumanas à beira de rodovias ou sitiados em fazendas.

A população dos guarani-caiouá é a maior entre as onze etnias que vivem em MS, e a mais sacrificada pela sonegação dos direitos humanos fundamentais.

O número elevado de suicídios, alcoolismo, jovens indígenas aliciados e usados como “mulas” para o tráfico de drogas, exploração da mão-de-obra indígena nas usinas de álcool, são problemas sociais que fazem parte da realidade indígena de MS.

O Estado busca alternativa jurídica que evite injustiças a qualquer um dos lados que reclame por direito, visando conter a violência e o conflito direto entre fazendeiros e indígenas. A criação do Comitê Nacional em Defesa da População Indígena de Mato Grosso do Sul serve como um instrumento dos movimentos sociais para defesa da causa dos povos indígenas.



ASSINAM:

 
1. CIMI (Conselho Indigenista Missionário)

2. CUT - MS

3. Centro de Defesa dos Direitos Humanos Maçal de Souza

4. MST-MS

5. 12ª Defensoria Pública Cível de Segunda Instância

6. Rede Nacional de Advogad@s Populares (Renap MS)

7. CNBB – CRJP/01

8. Comissão de Direitos Humanos/OAB

9. Conselho Estadual Indígena

10. Conselho Municipal Indígena de Campo Grande

11. Comissão de Cultura da Câmara de vereados de Campo Grande

12. Coletivo de mulheres Negras

13. Fórum Nacional de Mulheres Negras

14. Associação Rede Criança

15. GT Combate ao Racismo Ambiental da RBJA

16. CEDEFES - Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva – Belo Horizonte – MG

17. Centro de Agricultura Alternativa (CAA) Norte de Minas - MG

18. Fórum Carajás –São Luís – MA

19. Rede Nacional de Advogad@s Populares (Renap Maranhão) - MA

20. Instituto Terramar – Fortaleza – CE

21. Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) – Belém – PA

22. Dignitatis – João Pessoa – PB

23. INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos - Brasília – DF

24. Rede Nacional de Advogad@s Populares (Renap Ceará) - CE

25. CEPEDES - Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul/BA

26. Terra de Direitos

27. Comissão Pastoral da Terra - CPT Nacional

28. Justiça Global

29. Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR) - BA

30. CEDECA Ceará - Centro de Defesa da Criança e do Adolescente - CE

31. Rede Nacional de Advogad@s Populares (Renap Rio Grande do Norte) – RN

32.Grupo de Estudos em Direito Crítico, Marxismo e América Latina - GEDIC (UFERSA/UERN) – RN

33. Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto

34.ANCED - Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente

35. ANADEF – Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais

36. Rede Alerta

37. ABRANDH - AÇÃO BRASILEIRA PELA NUTRIÇÃO E DIREITOS HUMANOS

38.ADVOGADOS SEM FRONTEIRA




Fonte:
25 de novembro de 2011 • 13h22 • 116 visualizações

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Entre índios e autoridades, demarcação da “mãe terra” é a única solução apontada

Audiência pública nesta sexta-feira discutiu a questão. Carta de protesto, assinada por todas as autoridades presentes, será entregue pela AL para a presidência e Ministério da Justiça

Diante das recorrentes mortes de indígenas e conflitos envolvendo proprietários rurais, autoridades de organizações civis e indígenas cobram uma solução em caráter emergencial e apontam a demarcação das terras como única trégua para a paz.

“Não vamos acalmar enquanto não recebermos de volta a nossa mãe, que é a nossa terra. Até lá vamos continuar morrendo e brigas sendo registradas”, desabafa o caíque e presidente do Conselho de Direitos Indígenas, Nito Nelson.

A questão foi abordada nesta sexta-feira (25) durante o “Ato Contra a Impunidade e em Defesa dos Povos Indígenas", na Assembléia Legislativa.

Participaram representantes de diversas organizações civis e movimentos de não índios e indígenas, que assinaram uma carta de protesto para ser enviada pela AL a presidente Dilma Roussef e ao Ministério da Justiça.

A iniciativa acontece após o atentado ao líder religioso Kaiowá Guarani, Nisio Gomes, de 59 anos, que está desaparecido desde o último dia 18. O ataque aconteceu dentro da terra Guaiviry, há anos reivindicada pelos indígenas para demarcação e retomada.

Tido como estopim para o manifesto dos movimentos e do poder legislativo, a audiência foi iniciada com cerimônia indígena para pedir aos deuses que o corpo de Nisio seja encontrado, segundo explica o pajé Orlando Turibio, da aldeia urbana Água Bonita, em Campo Grande.

O nome de outros líderes indígenas vítimas de atentados em MS também foram lembrados. A audiência acontece no dia em que a morte de um dos mais importantes líderes indígenas de MS, Marçal de Souza, completa 28 anos.

Devolver a terra ao dono - “O Governo é quem vendeu o título dessas terras para os proprietários, então, ele que agora resolva o problema”, enfatizou o deputado estadual Pedro Kemp durante pronunciamento no plenário.

Ele também frisou que a briga se resume ao impasse entre dois lados, que apenas reivindicam o direito pelo que é seu. “De um lado são os proprietários, que na maioria pagaram pelo título da terra vendida pelo Governo, e do outro os indígenas que tiveram as terras tomadas para serem vendidas a outro”.

Com isso, as lideranças afirmam que a única solução para o problema é a devolução das terras para os indígenas, com a indenização para os proprietários rurais.

“O governo federal precisa tomar uma atitude antes que o Mato Grosso do Sul vire um bang-bang e o nosso Estado continue sendo notícia internacional pela violência indígena”, frisa o deputado.

A resolução esbarra na Constituição Federal, que impede a federação de comprar a terra dos proprietários, e por isso, a alternativa encontrada é a criação de um fundo estadual de terras, que teria parceria com o Governo Federal para receber recursos e comprar as terras.

Para o coordenador do Neppi (Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas), Antonio Brand, essa é a única solução e só depende do empenho do governo.

“Essa situação só chegou onde está por causa da sistemática omissão dos governos, por anos e anos, mas que agora que precisa ser solucionada”, frisa.

Ele também ressalta que MS tem apenas 2% de terras demarcadas como indígenas, sendo que em MT são 14% de terras. A proporção de terras não acompanha a população dos dois estados, já que MS tem quase o dobro de indígenas, sendo o Estado com a segunda maior população indígena.

De acordo com Kemp, existe a expectativa de que o Governo Federal termine em breve o relatório sobre as áreas que precisam ser demarcadas e em MS seria cerca de 500 mil hectares.

Em todo Estado existem cerca de 31 acampamentos de indígenas em beiras de estradas e fazendas, segundo Kemp.

Respeito - Só depois que for assegurada terra para as famílias indígenas morarem e produzirem, os índios terão de volta sua dignidade, afirmam as lideranças.

“É como se nós não fossemos nada, se nossa morte fosse como de um animal, que não tivesse valor. Mas nós temos alma e estamos sendo mortos”, clama o cacique Nito.

Kemp também chama a atenção para o fato de até hoje nenhum autor dos crimes contra indígenas ter sido punido.

“Os índios são nossos irmãos, mas garanto que a maioria da população daqui trata eles como vagabundo, que não precisa ter direitos e a vida preservada”, frisa.


Fonte:
25/11/2011 13h47

Carta em defesa povos indígenas retrata a indignação da população de Mato Grosso do Sul

Autoridades, religiosos, representantes da sociedade civil e lideranças indígenas participaram nesta sexta-feira (25) de um ato público contra a impunidade e em defesa dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul, realizado na Assembleia Legislativa.

O evento teve por objetivo a união da sociedade sul-mato-grossense contra os constantes casos de violência e agressões à população indígenas.

No ato público foram lembrados índios e indigenistas que lutaram pela demarcação das terras e a qualidade de vida da população indígena de Mato Grosso do Sul, como Ronildo Vera, Oswaldo Lopes, Marcos Verón e Marçal de Souza.

Ao som do Hino Nacional executado na língua Guarani, os presentes no ato público cobraram punição e justiça aos inúmeros casos, inclusive, o mais recente atentado registrado no estado, contra o líder indígena Nísio Gomes, no último dia 18 de novembro.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT), coordenador do ato público, acredita que é o momento de repudiar toda a violência que tem acontecido contra as comunidades indígenas nos últimos anos. “O ato serve também para cobrar das autoridades federais uma solução definitiva para os conflitos agrários envolvendo índios e proprietários rurais aqui no estado”.

Kemp lamentou os vinte e oito anos da morte de Marçal de Souza, que era uma liderança conhecida mundialmente. “Ele fez um pronunciamento na ONU, recebeu o papa aqui no Brasil, falando em nome das comunidades indígenas, foi assassinado. Um assassinato que ficou impune. E, depois de 28 anos, quantas lideranças indígenas também foram assassinadas?”.

Tatiana Ujacow, advogada e membro da Copai/OAB (Comissão Permanente de Assuntos Indígenas) e do ITC (Comitê intertribal de Memória e Ciência Indígenas), destacou a importância da discussão para Mato Grosso do Sul. “É muito importante que Mato Grosso do Sul perceba que a gente não pode mais calar a voz do povo indígena. Nós temos que fazer justiça social e que a violência aqui no estado está banalizada”.

A advogada que atua para que o preconceito e a violência contra os povos indígenas acabe, sempre ressalta a banalização desta situação. “As pessoas não dão a menor importância para esses temas que possuem a maior urgência, para impedir os conflitos”.

Tatiana que sempre defende o diálogo entre as partes envolvidas. “Conversarem e buscarem uma solução justa. As partes têm o direito, os povos indígenas têm direitos garantidos constitucionalmente”.

Uma carta em defesa dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul resultou do ato realizado na Assembleia. O documento será encaminhado às autoridades competentes e à presidente Dilma Rousseff.



Fonte:

HOJE-TEKOHA-ritual de vida e morte do Deus pequeno-Teatro de Rua

"A impunidade dói mais que a morte"-

Edna Guarani de Souza



28 anos sem Marçal de Souza e uma semana sem Nísio Gomes



O Teatro Imaginário Maracangalha apresenta o espetáculo de rua "Tekoha-ritual de vida e morte do deus pequeno".A trajetória de Marçal de Souza e sua luta , uma história que não foi contada em jornal ,uma história de Guarani e de todos nós.

O Teatro de Rua leva a sua arte contra a bárbarie e a injustiça .Somando sua força criadora a todas as vozes que nesse dia ,pedem um basta a impunidade e a indiferença.

No Calçadão da Barão,em frente ao Bar do Zé,hoje ,dia 25 de novembro de 2011 ,as 17:30 .

É só chegar ,leve alguém com você e mais e mais mais gente vibrando na rua por justiça. Até breve!


 
Fonte:
Teatro Imaginário Maracangalha

Governo Federal diz que entra na questão indígena de MS por "questão de honra"

O governo federal considera “uma questão de honra” a solução dos problemas enfrentados pelas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Além da questão do território, a saúde e a educação são as principais preocupações do Estado.

“Para nós, a questão indígena mais importante é Mato Grosso do Sul, onde a incidência de violência e morte é acentuada e a situação de perdas de criança nos ofende profundamente. Estamos fazendo todo o esforço [para reverter essa situação]”, disse o ministro à Agência Brasil.

No dia 20 de outubro, representantes do governo visitaram a comunidade indígena Y’Poi, da etnia Guarani-Kaiowá, no município de Paranhos. Segundo Carvalho, um grupo de trabalho dedicado especificamente à questão indígena foi constituído. A Funai (Fundação Nacional do Índio) e o governo estadual participam do grupo.

Um vídeo produzido pelo projeto Rede de Saberes, divulgado ontem (23), mostra como foi a visita de representantes do governo ao acampamento. Além de denunciar as ameaças de morte sofridas, os indígenas pediram a conclusão do processo de demarcação de terras, escola para as crianças, liberdade para passar pela estrada entre o acampamento e uma fazenda, a oportunidade de plantar na área e condições de segurança.

O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, aparece no vídeo comprometendo-se a atender a todos os pedidos da comunidade, principalmente os referentes à segurança. “Se um pistoleiro chegar, quero que a informação seja passada no mesmo dia para o meu telefone".

Menos de um mês após a visita, houve um ataque de pistoleiros ao Acampamento Tekoha Guaiviry, no município de Amambai. Os índios disseram que o cacique Nísio Gomes foi morto e três moradores do acampamento sequestrados na última sexta-feira (18). O corpo do cacique desapareceu e ainda não há pistas sobre os desaparecimentos. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram inquérito para investigar o caso.

No próximo dia 28, um comitê gestor será instalado na cidade de Dourados. De acordo com o ministro Gilberto Carvalho, o governo federal vai divulgar uma série de políticas públicas para os cerca de 44 mil índios da região. “Está próximo [o fechamento de] um acordo com o governo do estado para que a gente consiga ter uma área delimitada para os Guarani-Kaiowá. É uma preocupação, um compromisso”, garantiu Carvalho.

De acordo com o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), nos últimos oito anos cerca de 200 índios foram mortos em conflitos de terra.

A Polícia Federal confirma a escolta especial a dois índios Guarani-Kaiowá da aldeia no acampamento Guaiviry onde o cacique Nisio Gomes foi executado por um bando fortemente armado na manhã da última sexta-feira (18), em Aral Moreira (402 km de Campo Grande), entre as cidades de Ponta-Porã e Amambai.

Os dois teriam presenciado a chegada e a ação dos bandidos. Um dos pontos a serem esclarecidos é sobre o uso de armas letais e de borracha e a forma exata de como foi o crime. (Matéria editada para acréscimo de inromações às 12h06)



Fonte:
24/11/2011 07:12

Ato público cobra punição para assassinos dos índios de MS

Hoje, dia 25, os movimentos sociais, representantes de organizações governamentais e não governamentais promovem um ato "Contra a Impunidade e em Defesa dos Povos Indígenas". Será às 9 horas no Plenário Júlio Maia, da Assembleia Legislativa de Campo Grande.

Os acadêmicos indígenas participam do ato, para o qual também foram convidados representantes do Ministério Público Federal (MPF), Fundação Nacional do Índio (Funai), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento Sem Terra (MST), mandato do Deputado Estadual Pedro Kemp, lideranças e vereadores indígenas de Mato Grosso do Sul.

No dia 18 de novembro houve mais um atentado contra indígenas que ocupam área em litígio. Segundo testemunhas, o ñhanderu Nísio Gomes foi assassinado durante invasão ao acampamento indígena Guaiviry, no município de Aral Moreia. Os indígenas relataram que o corpo foi levado junto a duas crianças. O ataque foi tão brutal que a comunidade não alimenta muita esperança quanto às vidas dos menores, que ainda não foram encontrados, bem como o corpo de Nísio. Além disso, vivenciam medo de novos ataques, pois entre os acampados de Y Po’i, no município de Paranhos, já houve fato semelhante com dois mortos e um não encontrado, que segundo os relatos, também foi assassinado.



CONTATO
Caroline Maldonado
(67) 3312-3590
(67) 9945-9895

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Presidente da OAB/MS pretende levar caso de Nísio Gomes à OEA

 Leonardo Duarte, presidente da OAB de Mato Grosso do Sul, pretende levar o caso do assassinato de Nísio Gomes, líder guarani-caiouá, morto por pistoleiros no final da semana passada, à Organização dos Estados Americanos (OEA), organismo que congrega dos Estados das três Américas, que discute basicamente democracia, direitos humanos, segurança e desenvolvimento.

O assassinato de Nisio Gomes, líder guarani-caiouá do Tekora Guaiviry, na região de Amambai, no sul do Estado de MS, teve repercussão internacional durante toda a semana. Após o site do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) veicular a notícia do assassinato do líder indígena, a repercussão atingiu veículos de comunicação do mundo inteiro.

Sites estrangeiros e internacionais, como o da entidade internacional de luta em defesa dos povos indígenas, Survival International, deram lugar em suas capas para noticiar a brutalidade com que Nísio Gomes foi assassinado, apontando que o indígena foi morto na frente de sua comunidade. A Rádio Vaticano também noticiou o fato.

No sábado, 19 de novembro, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS) manifestou seu repudio veemente à violência contra Nísio Gomes, assassinado na sexta-feira passada, 18 de novembro. A Comissão Permanente de Assuntos Indígenas (Copai) da OAB de Mato Grosso do Sul reuniu-se ontem para tratar do assunto e, ao final do encontro, emitiu nota na qual afirma que “isso tem um nome certo: CHACINA, CRIME HEDIONDO que deveria ser punido severamente”.


Fonte:
22 de novembro de 2011 • 09h55 • 81 visualizações