quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Assassinato de líder indígena toma as páginas de sites no Brasil e no Mundo

O assassinato de Nisio Gomes, líder indígena da etnia Guarani-Kaiowá do Tekora Guaiviry, na região de Amambai, no sul do Estado de MS, teve repercussão muldial, já nesta sexta-feira (18). Após o site do CIMI – Conselho Indigenista Missionário – estampar o assassinato do indígena a repercussão em sites brasileiros como Carta Capital, Brasil de Fato, Globo e Estadão, repercutiram a notícia.

Mais tarde, sites internacionais como o da entidade internacional de luta em defesa dos povos indígenas, Survival International, deram lugar em suas capas para noticiar a brutalidade com que o líder foi assassinado, apontando que o indígena foi morto na frente de sua comunidade. A Rádio Vaticano também noticiou o fato.

Já o site da BBC, em sua página sobre a América Latina destaca, com o título "Brazil indigenous Guarani leader Nisio Gomes killed", que os conflitos de terra entre indígenas e fazendeiros no Brasil é comum, mas afirma que os conflitos tem se intensificado: “O grupo sofre uma grave escassez de terra no Brasil, que piorou como o ‘boom’ na agricultura, o que tem levado agricultores e pecuaristas de estender suas explorações”.

Com o título “Masked gunmen attack Brazilian Indian leader in shock execution”, o site do Survival International afirma que a liderança ‘religiosa’ indígena Nisio Gomes, chamado de ‘Xaman’ (guia espiritual indígena) na matéria, era o alvo principal dos jagunços. Eles reproduzem a fala de um dos indígenas: “Vieram matar nosso lider”.

O site relaciona a morte de Nisio a outro caso, como afirma a entidade, ‘muito parecido’ com o de outra liderança, o indígena Marcos Verón, assassinado na frente da filha em janeiro de 2003, na fazenda Brasília do Sul, em Juti, também no sul do Estado.

Na ocasião, quatro homens armados efetuaram disparos contra os índios, além de os espancarem e ameaçarem. O ataque, cujo objetivo era expulsar o grupo da área ocupada, resultou na morte do cacique Marcos Veron na época, com 72 anos.

O Diretor da Survival International, entidade de defesa dos povos tradicionais no mundo, Stephen Corry, fez um alerta: “parece que os fazendeiros não estarão satisfeitos até matarem todos os Guarani. Este nível de violência contínua era comum no passado e resultou na extinção de milhares de grupos e sociedades indígenas. É uma absoluta vergonha que o governo brasileiro permita que esta violência continue nos dias atuais”.

O site posta junto da matéria o depoimento da filha de Marcos Veron, recém-formada em licenciatura indígena na UFGD, a guarani-kaiowá, Valdelice Veron.



Fonte:
18/11/11, 19h20

Testemunha envolve 'carro de chapa branca e fardados' em morte de líder indígena no MS

A reportagem do Midiamax entrevistou o filho de Nisio Gomes, líder indígena executado por um bando fortemente armado na manhã de ontem, 18/11, no acampamento Guarani-Kaiowá, que fica entre fazendas da região de Ponta-Porã e Amambai.

Valmir Gomes forneceu as mesmas declarações que à Polícia Federal de Ponta Porã, que são reproduzidas aqui. Ele afirma que alguns dos pistoleiros encapuzados que dispararam contra cerca de 520 índios tinham roupas com detalhes que lembravam militares. E uma das caminhonetes possuia chapa branca.

Além disso, o líder conta que três crianças foram sequestradas pelos bandoleiros, também paraguaios.

O assassinato do líder, que teve o corpo carregado pelo bando, que forma uma força paramilitar na região, teve repercussão nacional e internacional.

Reportagem - Como começou o tiroteio?

Valmir -Nas 6.25 horas eu olhei do outro lado, eu vi umas sete pessoas. E no meio, o paraguaio chamado Paulo Recarte(?), ele é um camisa amarela, mesmo. Ai falou assim: “Depois quando chegaram ai no acampamento, “tiro, tiro, tiro” – falando assim. Aí que o pai já falou “tiro, tiro, tiro mesmo”... aí ficou doido meu pai, depois eu também, depois caiu o meu pai, mesmo.

R - Você viu o seu pai morto?
V - Mas viu, viu na minha cara mesmo, pegou talho na cabeça, outro na face e outro na perna – calibre 12.

R - Quem foi que atirou no seu pai?
V - O pistoleiro, mesmo. Tudo pistoleiro do fazendeiro, aí.

R - Eles são ligados a que fazendas?
V - Tem fazenda Chimarrão, Querência,tem Ouro Verde, também.

R - Depois que atiraram no seu pai, o que fizeram?
V - Depois que atiraram no meio pai aí, carregaram no Toyota Hilux, cor prata. Depois de colocar, falaram assim: “eu não falei pra matar”, falou assim aquele paraguai, na língua deles, falando em guarani, na língua deles, falando. Aí que o papai já estava na caminhonete, depois “queimaram o foguete”. Depois, seguimos atrás das caminhonete. Na última caminhonete, uma caminhonete Ranger, cor verde ou azul escuro,tinha um símbolo de “gavião” mesmo, um símbolo de gavião mesmo. Aquele homem igual que o oficial, oficial de quartel, mesmo. Ai outro vestiu de camisa de soldado, soldado mesmo, tem símbolo na (....) o chapeuzinho tem símbolo, mesmo, tudo lá. Escondeu as placas com papelão, só que uma caminhonete Ford Ranger é chapa branca, chapa branca.

R - E você já falou isso para a Polícia Federal? (de Ponta Porã)
V- Já, já falei a ocorrência com meu pai, na Polícia Federal.

R - Você acha que além do seu pai, tem mais vítimas?
V - Temos, temos, temos. Levaram uma menina de 12 anos, um rapaz de 12 anos, e uma criança de 5 aninhos.

R - Levaram como?
V -Levaram junto com o corpo do meu pai.

R - Na caminhonete?
V - Na caminhonete Hilux, cor cinza.

R - E essas pessoas estavam feridas?
V - Não, não estavam feridas, eles estavam chorando rodeando junto com o corpo do meu pai e aí pegaram.

R - Não apareceu até agora?
V - Até agora não apareceu mesmo, e o corpo do meu pai, eu queria ver o corpo do meu pai.

R - E eles atiraram no seu pai ou atiraram em todo mundo(cerca de 520 pessoas)?
V - Atiraram em todo mundo, só que não acertaram tava tudo no meio do mato, mesmo.

R - O que você vão fazer agora?
V - Agora eu vou juntar mais gente, a não vai sair mais.

R - E se esse povo vier de novo?
V - Se esse povo vem, ah.. agora que nós vamos fazer (.?..) tá ferrado, mesmo.



Fonte:

Lideranças indígenas vão ao local onde 'chacina' foi cometida; ASSISTA O VÍDEO

O vereador indígena de Caarapó, Otoniel Ricardo (PT), representando o Conselho Continental Grande Povo Guarani, juntamente com as lideranças indígenas Valdir Turiba, 'Zezinho' do conselho Aty Guaçu e Eliseu Lopes, representante da Apib (Articulação do Povo Indígena do Brasil), acompanhados do antropólogo Tonico Benites, da consultoria indígena do MEC, se dirigem neste momento para a região de Amambai.

O grupo deve acompanhar o caso do assassinato da liderança Guarani-Kaiowá Nizio Gomes, que teria sido morto por milícia de fazendeiro na região da fronteira. O indígena liderou a reocupação do Tekoha Guaiviry, que está sub júdice, depois de firmado TAC (Termo de Ajuste de Conduta) entre Ministério Público Federal, FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e lideranças indígenas.

A Polícia Federal e a Força Nacional baseada em Ponta Porã, também se deslocam para o região do Tekoha Guaiviry, onde já esta Funai conforme informações obtidas pelo Midiamax.


Chacina

Na manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h, a ocupação índigena Tekoha Guaiviry foi atacada por cinco camionetes com um grupo de homens fortemente armados, três dos quais trajando uniformes militares, abriram fogo contra os índios acampados. As informações são de que Nizio Gomes, líder da aldeia Guarani-Kaiowá de Amambai, uma criança e uma mulher foram mortos, seus corpos carregados e camionetes e levados do acampamento para um local desconhecido.


A ocupação

Os índigenas da etnia Guarani-Kaiowá que estavam assentados na beira da rodovía BR-163 retomaram recentemente as terras após realizar o Aty Guaçu, grande reunião de lideranças da etnia, na quarta-feira (16), um ato de solidariedade ao grupo de Guaiviry. Segundo informações, depois da visita ao local, o ônibus dos indígenas foi retido por fazendeiros armados, sendo liberado após várias horas de negociação com os indígenas.

A área em disputa faz parte de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) assinado em Brasília, entre o Ministério Público Federal, a Funai e todas as lideranças indígenas da região, em novembro de 2007.

O TAC prevê a retomada dos “Tekoha”, a área tradicional originária de cerca de 39 comunidades indígenas, expulsas da terra, remotamente, por fazendeiros que ocuparam a área.

Assista ao vídeo em que os índios denunciam o massacre:

MOÇÃO DE REPÚDIO CONTRA A VIOLÊNCIA - ANPUH - MS

Marçal Guarani, Durvalino, Marcos Verón, prof. Rolindo Vera, Prof Genivaldo, Lísio Gomes... presentes!

Há mais de 28 anos assassinatos, episódios de violência física, linguística, política e econômica contra os povos indígenas de Mato Grosso do Sul seguem impunes. Esses episódios estão muito bem documentados segundo critérios acadêmicos por diversos historiadores em dissertações, teses e em Centros de Documentação Indígena, disponíveis para consulta pública nas universidades públicas e comunitárias em Mato Grosso do Sul.

Muitas pesquisas históricas indicam que os indígenas foram expulsos das terras à medida que os conquistadores chegaram e, posteriormente, fazendas foram implantadas, florestas desmatadas, impondo mudança dos índios para outras localidades. Esses conflitos atuais estão relacionados à tentativa dos índios em retomar o espaço que lhes pertence.

Tragicamente, essa expropriação, ancorada por preconceitos engendrados desde a chegada dos portugueses e espanhóis para justificar a colonização, encontra respaldo e aumenta com a impunidade cuja mensagem nos parece clara: a vida de um índio pouco vale.

Diante da denúncia do assassinato e desaparecimento do corpo do cacique Nísio Gomes na última sexta-feira (18), em Guaviry, Aral Moreira, MS, a Associação Nacional de História, seção MS, vem a público fazer coro e apoiar o clamor dos Kaiowá e Guarani às autoridades para que ajam frente à

Campo Grande, MS, 23 de novembro de 2011.s verdadeiras milícias que, a despeito do Estado, seguem agindo na região.


Fonte:

NOTA DE REPÚDIO - COMISSÃO REGIONAL DE JUSTIÇA E PAZ – CNBB Oeste 1

Diante do lamentável fato ocorrido hoje na área do acampamento GUAIVIRY, localizado entre Amambai e Ponta Porã, vimos manifestar a nossa indignação e repúdio por mais esse ato de violência cometida contra nossos irmãos indígenas.

A morte do líder indígena kaiowá –guarani, cacique Nizio Gomes , põe às claras a situação de abandono e vulnerabilidade em que se encontram os povos indígenas em nosso Estado. O crime premeditado e executado por dezenas de pistoleiros fortemente armados se mostra como resultado da histórica omissão do poder público, a que não podemos ficar calados ou indiferentes.

Diante da barbárie ocorrida no Tekoha Guaiviry na madrugada de hoje o povo sul-mato-grossense, com raízes culturais e religiosas que rejeitam a violação de direitos humanos, especialmente dos mais desprotegidos, clama por justiça.

Espera-se que o clamor popular provoque uma reação imediata e firme das autoridades contra os mandantes do massacre, acabando com a situação de impunidade que vem reinando em nossa região. Esperamos que a “lei do mais forte” não impeça a ampla divulgação do acontecido, para que a população conheça a verdade. Que seja dada resposta à indagação de Deus: “o que foi que você fez? Ouço o sangue do seu irmão clamando da terra por mim” (Gn 4,10).
 
Manifestamos também nossa solidariedade com as famílias das vítimas, mortos, feridos e desaparecidos que sofreram esse bárbaro ataque.



Campo Grande, 18 de novembro de 2011.
Secretária executiva
Comissão Regional de Justiça e Paz

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Polícia Federal garante à Funai que vai investigar morte de Nisio Gomes a fundo

Neste último final de semana, a reportagem do Midiamax acompanhou de perto toda a intensa movimentação dos kaiowás guaranis, diretamente no local onde o cacique Nisio Gomes foi assassinado, segundo informações dos próprios índios que sofreram o ataque de um bando de 40 homens armados, na manhã da última sexta-feira.

Mesmo com a proibição de gravações pela PF, a reportagem acompanhou o depoimento da principal testemunha do caso, Valmir Cabreira, filho de Nisio, na distância determinada pela equipe liderada pelo delegado Alcídio de Souza, da Delegacia de Defesa Institucional da PF no MS.

Enquanto mais índios chegavam à área de intensa mata verde, e faziam seus rituais religiosos no Tekoha Guaiviry - que fica entre as fazendas Chimarrão, Ouro Verde e Querência - o delegado da PF questionou Valmir sobre os fatos relativos ao crime.

Enquanto isso, soldados da Força de Segurança Nacional que escoltavam os dirigentes da Funai armados com fuzis automáticos garantiram a segurança de Valmir durante o depoimento.

Solicitando sinceridade absoluta e muita concentração para lembrar todos os detalhes do ataque, o delegado solicitou que ele descrevesse a cena do massacre, em detalhes, mais de uma vez.

Valmir reafirmou o que vem dizendo publicamente: que uma caravana de caminhonetes chegou ao local pela manhã; que alguns homens tomaram a frente do grupo, entre eles um paraguaio; e que no momento em que os tiros começaram o pai gritou para alertar os 60 índios do grupo, para que se protegessem na mata fechada.

Mais adiante, o filho do cacique disse que os homens ordenaram que Nisio deitasse no chão e o fuzilaram ali mesmo, com tiros na cabeça, peito, braços e pernas. E concluiu dizendo o bando colocou o corpo numa caminhonete Hilux prata e foram embora.

Ainda na sexta-feira, no local do crime, a perícia encontrou o chapéu verde-amarelo de Nisio com um furo que seria de bala e marcas de sangue.

Sumir com o corpo é expediente comum na região, diz Funai

Sobre o assassinato do cacique, Silvio Raimundo da Silva, dirigente da Funai em Ponta-Porã, afirmou que “esse expediente de sumir com o corpo é reincidente aqui na nossa região, basta a gente ver casos como os dos professores do acampamento Ipui, até hoje está lá o crime ainda não solucionado, e agora aqui, a liderança do seu Nisio Gomes, que é bastante respeitado na região, pelas lideranças indígenas e pela Funai”.

“Mas o que queremos saber é que a polícia tenha condições de elucidar esse desaparecimento, e sabemos que a PF quer chegar a uma solução, para que esse não seja mais um caso não solucionado”, garantiu.


Funai procura pai de crianças desaparecidas

Outro ponto central do depoimento de Valmir foram as suas declarações bombásticas dando conta que três crianças foram levadas junto com o corpo de seu pai, vivas, para lugar ignorado.

Segundo ele, até agora não foi possível localizar os pais das crianças, porque os pais estão em fuga para aldeias da região – uma possibilidade confirmada pela Funai. Mas a fundação quer encontrá-los, primeiro, para esclarecer as circunstâncias da denúncia, considerada brutal.

Presença de veículo chapa branca é alvo de investigação da PF

Um dos pontos mais contundentes das declarações de Valmir foi a presença, no local do crime, de uma caminhonete Ranger que, como as demais, tinha um pedaço de papelão tampando as placas do veículo. Mas na Ranger, segundo ele, foi possível visualizar uma parte da chapa, que era branca – e possivelmente oficial.

O delegado Alcídio de Souza também quis saber sobre a declaração de Valmir, de que na caminhonete havia o símbolo de uma ave, parecida com um gavião, que também figurava na roupa de um homem uniformizado.

“O símbolo, a ave”, inquiriu o delegado, a quem Valmir respondeu positivamente, reafirmando a sua versão. E com mais um detalhe: erguendo os braços em paralelo, ele descreveu o percurso da suposta viatura oficial, que contornou a Hilux por trás, parando do lado direito dela. Na lavoura de soja defronte a mata onde os índios estão refugiados, existem muitas marcas de pneus.

Famílias chegam ao local com a promessa de não sair

Em relação à chegada de mais famílias na área, com mulheres e crianças pequenas, o dirigente da Funai relatou a forte convicção dos kaiowás guaranis: “Os indígenas já estão certos de não sair da área. Eles reafirmam isso, que é terra tradicional deles, que eles não pretendem sair daí porque estão dispostos a resistir”.

Diante de um pequeno monumento religioso de madeira, com um emblema, os índios praticavam seus rituais. Os jovens adolescentes portavam arco e flecha, e ervas venenas para passar nas pontas.

Silvio da Silva, no entanto, fez questão de pontuar uma diferença entre índios e o bando de assassinos que aterroriza a região: “eles são um povo pacífico, eles não estão aí pegando em armas, a arma deles é o maracá, é a reza, é o canto, são os rituais, diferente de quem ataca, que tem arma de fogo, armas letais, que ferem e que matam e, com certeza, fazem tudo aquilo que está á margem da lei”.


Fonte:
21/11/2011, 10h47

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Líder indígena foi executado em ataque contra acampamento em Amambai

Corpo de Nísio, no centro da foto, teria sido levado pelos pistoleiros. (Foto: Cimi)

O líder indígena Nísio Gomes, 59 anos, foi assassinado na manhã desta sexta-feira, por volta das 6h30, durante ataque de pistoleiros fortemente armados contra a comunidade Kaiowá Guarani, do acampamento Tekoha Guaiviry, em Amambai.

Segundo informações do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), pelo menos 40 homens estariam envolvidos no ataque. Cerca de 60 indígenas moram no local.

Nísio foi executado com tiros de calibre 12 e, depois de morto, o corpo foi levado pelos pistoleiros. Os disparos teriam atingido cabeça, peito, braço e pernas.

Informações preliminares apontam que os autores teriam seqüestrado dois jovens e uma criança e assassinado uma mulher a uma criança.

Ainda conforme informações do Cimi, os homens estavam com m máscaras, jaquetas escuras e pediram para todos deitarem no chão durante o ataque.

O líder indígena foi executado em frente ao filho, que ainda tentou impedir e foi contido com tiros de bala de borracha, informa o Cimi, acrescentando que a ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado.

Segundo informações de movimento político guarani-kaiowá, a área de Guaiviry é uma das que foi incluída nos processos de identificação de terras indígenas iniciados em MS pela Funai em 2008, e o relatório está em fase de conclusão. Os indígenas ocuparam a área onde aconteceu o conflito há cerca de 15 dias e já vinham recebendo visitas da Funai e da Polícia Federal. Ainda assim, como vem acontecendo em outras áreas em conflito, isso não tem sido suficiente para coibir as agressões realizadas por homens armados a serviço dos fazendeiros da região, reclama o movimento.

A Funai de Ponta Porã acionou Ministério Público Federal e Polícia Federal nesta sexta.



Fonte:
18/11/2011, 14h20

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Copai participa de audiência para debater a educação superior indígena

Nesta sexta-feira (11), a Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS participa de uma audiência pública para debater a “Educação Superior Indígena em Mato Grosso do Sul”. O tema será debatido na Assembleia Legislativa, a partir das 13h30.

O assunto chegou em discussão após lideranças indígenas revelarem que boa parte dos estudantes acabam desistindo da graduação por conta da falta de políticas de acesso e permanência, como transporte, estada, alimentação, vestuário e material escolar, além de um suporte acadêmico.

O debate proposto em parceria com o Projeto de Rede de Saberes discute a realidade de cerca de 700 acadêmicos indígenas do Estado, que buscam a implementação de políticas públicas que garantam a permanência deles no ensino superior.

Participam também da audiência o secretário de Educação Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, o deputado federal Antônio Carlos Biffi, da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, a secretária de Estado de Educação, Maria Nilene Badeca da Costa, a secretária de Estado de Assistência Social, Tânia Mara Garib e os reitores das universidades públicas e particulares do Estado e o Ministério Público Federal.


Fonte:
11 de novembro de 2011 • 10h35 • 100 visualizações

terça-feira, 1 de novembro de 2011

MPF instaura inquérito para investigar em MS demora na demarcação de terra indígena

A resistência à demarcação das terras indígenas Guarani Kaiowá na região Cone Sul de Mato Grosso do Sul, com graves conflitos judiciais, motivou a instauração de um inquérito civil público pelo Ministério Público Federal nesta segunda-feira (31). A intenção é acelerar o processo.

O procurador da República Thiago dos Santos Luz, que assina a portaria, alega que a iniciativa leva em conta a função institucional do MPF de "promover a defesa dos bens e interesses individuais indisponíveis, difusos e coletivos das comunidades indígenas".

O MPF aponta na portaria a tentativa de soluções extrajudiciais, especialmente nas situações envolvendo pequenos colonos, suscetíveis de reassentamento em outros imóveis rurais como forma de minimizar o "elevado grau de litigiosidade desses conflitos".

"São reconhecidos aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam e que o processo administrativo demarcatório a cargo da União ostenta natureza meramente declaratória de situação pré-existente", considerou o procurador.

De acordo com ele, as demarcações das terras indígenas na região Cone Sul têm sofrido forte resistência, "o que vem gerando a eternização dos conflitos, especialmente na esfera judicial, em notório prejuízo aos direitos fundamentais dos índios".

Após as investigações, o Ministério Público pode tomar medidas medidas judiciais ou extrajudiciais, como a expedição de recomendação legal ou celebração de compromisso de ajustamento de conduta.

No procedimento administrativo que deu origem ao inquérito civil público já se encerrou o prazo total de 180 dias para diligências iniciais. Com os dados levantados, o MPF quer agora, no inquérito, investigar como está se dando a coordenação de esforços entre MDA, INCRA, FUNAI, indígenas e pequenos colonos (Associações AMAM, APLUM e AMPRI) para o reassentamento dos pequenos produtores.

O técnico administrativo Jorge Daniel Delgado Jara, foi nomeado como secretário do Inquérito. A Funai será oficiada para informar qual a situação atual da área adquirida pelas Associações AMAM, APLUM e AMPRI em parte da terra indígena Jatayvari (Lima Campo), em Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande.

O MPF quer saber quem são os atuais possuidores, a forma de exploração da terra e a disposição dos colonos em deixar a área.

Além disso, serão requeridas do Departamento de Crédito Fundiário do MDA informações atualizadas sobre as providências tomadas para reassentamento dos pequenos agricultores das Associações AMAM, APLUM e AMPRI em outra área, além das medidas para responsabilizar o vendedor Paulo Roberto Massayoshi Kimura, envolvido no processo de desapossamento das áreas adquiridas.


Fonte:

MS concentra mais da metade das mortes de indígenas em conflitos pela terra, aponta pesquisa

Na tarde desta segunda-feira (31), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) lançou o livro “As violências contra os povos indígenas em Mato Grosso do Sul; e as resistências do Bem Viver por uma Terra Sem Males”.

O material traz um verdadeiro relatório das lutas e dos principais conflitos envolvendo os índios nos últimos oito anos, em todo o Brasil. Entre os inúmeros dados que compõem o material, os assassinatos chamam a atenção. No período pesquisado, 452 indígenas foram mortos no Brasil, só em Mato Grosso do Sul, foram 250. Isso sem somar ainda as tentativas de homicídios: 350 no país; e 190 casos aqui no Estado.

“São estatísticas comparadas aos países em guerra. Mostramos nessa coletânea o que acontece na realidade; o pouco que está sendo feito pelos nossos representantes e o que é necessário para reverter essa situação, no país”, disse o coordenador regional do CIMI/ MS, Egon Heck.

O evento foi realizado na Cúria Metropolitana, espécie de sala de reuniões da Igreja Perpétuo Socorro, em Campo Grande. Para Heck, existe uma série de fatores que originaram nos casos de violência, mas ele afirmou que ‘a situação se complicou mais ainda devido à lentidão nas demarcações de terras em todo o Brasil, principalmente em nosso Estado.

“Já se vão 40 anos que trabalho no CIMI, em outras regiões também, e conheço as dificuldades das diferentes etnias do Brasil inteiro. Mas em Mato Grosso do Sul, a situação dos Caioás Guaranis é, sem dúvida, a mais grave. São os piores índices do mundo, em relação à violência e à defesa dos Direitos Constitucionais dos índios”.

Representando a comunidade Curuçuambá, de Coronel Sapucai, na divisa de Mato Grosso do Sul, Eliseu Lopes lembrou as tristes estatísticas, onde mais de 60 lideranças indígenas daquela região já foram mortas durante combates pela terra. “Mato Grosso do Sul é campeão em violência contra nosso povo. Queremos segurança e o cumprimento dos nossos direitos.”, declarou.



Conflitos anunciados e outros números da pesquisa

Nos primeiros nove meses deste ano, o livro mostra que dos 38 registrados registrados no país, 27 ocorreram em Mato Grosso do Sul, o que significa 71% do total.

“Os Guarani Caioás estão se organizando. Se o Governo Federal não agilizar o processo, não demarcar as terras, nós vamos fazer com as próprias mãos. Muito sangue ainda será derramado porque ninguém está resolvendo o nosso problema”, falou Eliseu.

O livro traz, numa escala de denúncias e sugestões, três linhas de pensamento: 1) a questão da violência; 2) aprofunda o debate com textos de especialistas da área do direito, procuradores da República e do Trabalho; e 3) que traz a esperança, uma realidade do que poderia acontecer no Estado.

Um desses agravantes já começa pelo espaço físico destinado aos povos indígenas. Em Mato Grosso do Sul, são mais de 70 mil índios (principalmente os Caioás Guaranis e Terenos), mas, segundo o estudo, as terras indígenas não chegam a 0,2% no Brasil.

O relatório mostra ainda que até 2009, eram 22 acampamentos de indígenas; hoje, são 31. O número revela que são mais de 1200 famílias vivendo em condições subumanas, à beira de rodovias ou em fazendas.



Razões históricas

“O problema da demarcação de terras é muito antigo. Somados ainda outras questões, como: preconceitos, atitudes racistas, entre outros, que acabaram confinando os índios. Isso faz com ele (o índio) fique mais revoltado, mais agitado, e acaba ajudando para que os problemas internos se agravassem”, reforçou o coordenador do Conselho Indigenista Missionário.

No livro, são discutidas ainda a desnutrição infantil, que atinge hoje mais de 4 mil crianças indígenas no Estado; o alto número de mortalidade nessa faixa etária (93 para cada 100 mil). O trabalho pesado nos canaviais e o grande número de suicídios entre os indígenas: no Brasil, 206 e em Mato Grosso do Sul, 176 registros durante os oito anos de pesquisa.

‘São falhas históricas, tanto do governo Federal quanto do Estadual, que destinaram terras pra que não deveria, ou para expansão agropecuária; ou ainda para grandes grupos empresariais, especialmente as companhias de álcool’ foi a tônica do discurso.



Poucas ações eficazes

Muito emocionado, ao falar dos desrespeitos aos indígenas, Lindomar Ferreira, também critica que falta uma política urgente para solucionar a demarcação de terras em Mato Grosso do Sul. “Enquanto pensarem e agirem com ganância, passando por cima dos nossos direitos, muito sangue será derramado”.

O representante da Aldeia Cachoeirinha, em Miranda, hoje tem 36 anos de idade e denuncia que ´são raríssimos´ os acusados de matarem índios ficarem atrás das grades. “Convido o Estado a fazer essa reflexão. Que ‘desenvolvimento é esse? Cadê a democracia? Vivemos uma guerra e o nosso povo, que é trabalhador e honesto, está morrendo”, desabafou.

Eliseu já presenciou 5 mortes em sua aldeia. A ex-líder do grupo, inclusive, foi assassinada na frente de todos para intimidar os demais integrantes da Aldeia. “Já fui ameaçado e perseguido também. Atualmente, estou longe da minha família por tudo isso que vem acontecendo, mas não vamos desistir, vamos continuar lutando”.



Políticas públicas

“Esse material serve para subsidiar os Governo Federal e Estadual e também informar a sociedade, de uma forma geral, sobre o atual quadro em Mato Grosso do Sul”. Esse é o resumo do advogado do CIMI, Rogério Batalha.

De acordo com Batalha, ‘o Estado Brasileiro tem atraso histórico com relação à demarcação de terras indígenas’. “Falta vontade política para dar uma solução eficaz. Temos que buscar todos os caminhos, inclusive o jurídico”.

O advogado critica também diretamente as autoridades quando o assunto é ‘políticas públicas voltadas aos indígenas’. “Por aqui e principalmente no exterior, vemos a propaganda de um ‘Brasil em desenvolvimento’, mas o Governo não consegue resolver um problema interno. Destina bilhões de reais para projetos e empresas, mas nada é feito nessa questão indígena".


A posição do arcebispo da capital

Dom Dimas Lara Resende, arcebispo da capital disse que é grande a vontade de dialogar dos povos indígenas. “Mas precisamos caminhar muito ainda e a informação para a nossa sociedade é importante. Lembrou que ainda há muito preconceito as diferentes etnias dos índios. “A pessoa vale pelo que é, à imagem e semelhança de Deus. Queremos que respeitem todas as diferenças”.

O arcebispo citou igualmente aos demais, o atraso na solução do problema. “Há décadas, o Governo Estadual vendeu títulos que eram de propriedades indígenas para produtores e os conflitos só estão se agravando”, disse Dom Dimas.

O material (o Livro) será enviado às entidades governamentais; às ONGs e também servirá para subsidiar trabalhos acadêmicos no Estado.



Fonte:
http://midiamax.com.br/noticias/774422ms+concentra+mais+metade+mortes+indigenas+conflitos+pela+terra+aponta+pesquisa.html