terça-feira, 30 de agosto de 2011

ONG diz que índia brasileira pode ser mulher mais velha do mundo

Uma índia brasileira que se prepara para comemorar 121 anos de idade seria a pessoa mais velha do mundo, de acordo com informações da ONG Survival International, que defende direitos das populações indígenas ao redor do mundo.

Maria Lucimar Pereira, que pertence à tribo Kaxinawá e vive no Acre, atribui sua longevidade a um estilo de vida saudável: ela diz que só come carnes grelhadas, peixe, mandioca e mingau de banana e não consome sal, açúcar ou alimentos processados.

O líder comunitário que se identificou como Carlos disse à ONG Survival que, apesar da idade avançada, Maria Lucimar continua ativa. Ela caminha pela aldeia contando histórias em kaxinawá, já que praticamente não fala português, e visita seus netos em áreas próximas.


Cadastro

Maria Lucimar teria sido localizada ao comparecer a um posto do INSS para recadastramento - uma norma para pessoas muito idosas.

De acordo com sua certidão de nascimento, lavrada em 1985, ela nasceu no dia 3 de setembro de 1890.

Maria Lucimar, entretanto, não é a única idosa de sua aldeia. Dos 80 habitantes do local, quatro teriam mais de 90 anos de idade.

"Frequentemente testemunhamos os efeitos negativos que mudanças forçadas podem ter em populações indígenas. É ótimo ver uma comunidade que manteve laços tão fortes com sua terra ancestral e que está colhendo os inegáveis benefícios disso", diz o diretor da Survival International, Stephen Corry.

A longevidade de Maria Lucimar ainda não foi registrada pelo Guinness World Records, que afirma que a mulher mais idosa do mundo é a americana Besse Cooper, de 114 anos.

A brasileira Maria Gomes Valentim, moradora de Carangola, em Minas Gerais, chegou a ocupar a posição brevemente, mas morreu no dia 21 de junho deste ano, poucas semanas antes de completar 115 anos.

Ainda de acordo com o Guinness, a pessoa que comprovadamente viveu mais até hoje foi a francesa Jeanne Louise Calment, que morreu em um asilo, em 1997, aos 122 anos de idade



Fonte:
30 de agosto de 2011 08h22 atualizado às 09h30

Vereador e funcionário de prefeitura estão entre os presos na Aldeia Buriti

Em operação realizada nesta segunda-feira (29), na Aldeia Buriti, em Sidrolândia, a Polícia Federal prendeu seis lideranças indígenas e cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, sendo três dentro da aldeia, 10 na região e um na sede da Fazenda 3R.

Além das lideranças indígenas, o coordenador de Políticas para a Comunidade Indígena da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti, Arildo Alcântara e o vereador Percedino Rodrigues (PT) estão entre os presos transferidos para Campo Grande pela Polícia Federal, suspeitos de envolvimento em crimes de sequestro, cárcere privado, porte e uso de armas de fogo.

Todos tiveram prisão temporária decretada pela Justiça Federal, que expediu também ordens de busca e apreensão de armas que estariam em poder dos indígenas.

A operação foi desencadeada a partir da denúncia de fazendeiros de que os índios teriam um arsenal para garantir a posse das fazendas 3 R e Bom Jesus, ocupadas desde maio por um grupo de 1.500 terenas que montaram acampamento. As propriedades fazem parte das 17,2 mil hectares identificados em 2001 pela FUNAI como terra indígena e que até agora não foram demarcados.

Entre os presos estão líderes do grupo que em maio entrou nas fazendas 3R e Bom Jesus. Os proprietários conseguiram na primeira instância da Justiça Federal uma liminar para reintegração de posse, mas a medida foi cassada pelo Tribunal Regional Federal. (Com informações do Região News)



Fonte:
30/08/2011 07:41

Entidades denunciam ataque de pistoleiros a índios acampados

Entidades ligadas à questão indígena denunciam que jagunços armados expulsaram um grupo de guarani-kaiova que estava desde a semana passada acampado próximo à Fazenda Santa Rita, e durante a ação pelo menos três índigenas foram feridos a tiros. Há quinze dias o grupo havia sido expulso da propriedade, que pertence à família do prefeito de Iguatemi, cidade a 464 quilômetros de Campo Grande (MS), na fronteira com o Paraguai, e passaram a viver em um acampamento montado à beira da estrada.

De acordo com informações do administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Ponta Porã, Sílvio Raimundo da Silva, um antropólogo do Ministério Público Federal (MPF) que esteve no acampamento relatou que encontrou cartuchos de borracha, munição deflagrada e os barracos todos queimados. Os índios feridos estariam no acampamento, agora montado à margem do rio Iguatemi. O confronto foi na noite de terça-feira, segundo os indígenas. A Funai enviou para o acampamento comida e cobertores.

Na semana passada, em encontro realizado em Campo Grande que reuniu pesquisadores e estudantes indígenas de vários estados, a situação dos índios em Iguatemi foi denunciado em manifesto assinado por 80 participantes do evento. A ação dos jagunços na noite de terça-feira foi relatado a várias lideranças. Alex Macuxi, da aldeia Raposa Serra do Sol (PA), afirma que as informações que recebeu de Tonico Guarani Kaoiwa, lhe cortou o coração. Segundo o relato do índio kaiowa, por volta das 19h30 de anteontem lideranças do acampamento de Iguatemi ligaram dizendo que acabaram e ser atacados por pistoleiros armados.


Segundo Tonico, o indigena Dorival fez o seguinte relato pelo telefone:

"Estávamos rezando, de repente chegaram dois caminhões cheios de homens, chegaram atirando, ordenaram para queimar barracas e roupas e amarrar os índios". Mais adiante, Dorival disse que "ocorreu choro de crianças e mulheres e muitos tiros, saímos correndo em direção diferentes, nós, sete pessoas, estamos aqui, 300 metros do local, vendo as barracas queimando, muito choro ouvimos daqui".

Segundo Célio Gonçalves, filho de Lide Lopes, um dos líderes do acampamento indígena, há notícia de três índios feridos a tiros, mas nenhum foi levado para o hospital. A família de Lopes ficou na aldeia Sassoro, em Tacuru, enquanto Lide retornou ao acampamento e até ontem à noite não havia dado notícia. Um delegado e três agentes da Polícia Federal foram ao local do confronto ontem a tarde, para iniciar as investigações do caso.

- Foi uma afronta. Destruíram todos os barracos dos índios mais uma vez e nada foi feito até agora - afirmou Egon Heck, coordenador estadual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

O prefeito de Iguatemi, José Roberto Felippe Arcoverde, não foi encontrado para falar sobre o assunto. Familiares dele disseram que a fazenda Santa Rita é administrada por um parente do prefeito que mora no Paraná, mas eles negam que a propriedade tenha sido ocupada pelos índios e que tenham ligação com os acontecimentos recentes envolvendo os indígenas.



Fonte: O Globo (Paulo Yafusso)

Uma voz Indígena

Lembro como se fosse hoje, o dia em que conheci Ludesvoni Pires, cabelos lisos, longos, olhar firme e um belo sorriso no rosto, uma mulher trabalhadora. Tive a aportunidade de aprender com ela a arte da cerâmica Terena, desde a escolha do barro, preparação, moldagem e queima, isto não é fácil, exige trabalho com as mãos e força nos braços, ela me ensinou cada segredo, cada detalhe in loco, se não fosse ela, eu como Terena autóctone não saberia parte essêncial que é do meu próprio ethos, da minha própria natureza, se hoje sei produzir cerâmica agradeço a ela e reconheço todos aqueles que fazem desta arte um modo de sobreVIVER e divulgar a arte Terena.

Esqueço-me , as vezes, de como a sociedade sul-matogrossense tem repugnância contra os povos indígenas, o racismo pregado pela elite é tão violênto que armam ciladas, matam lideranças (Marçal de Sousa) assasinam professores indígenas (Rolindo Verá e Genivaldo Verá) e como se não bastasse, atiram bomba caseira em onibus de estudantes e acadêmicos indígenas, buscam apoderar-se através da carnificina do último pó de terra, da última alma do último índio, sua sua avidez e sede é tanta que não cessam enquanto não vêem sangue de índio respingando no chão, desde o início da colonização promovem a matança indígena em massa, portanto, carregam no corpo e na alma um ESPÍRITO ASSASSINO! MALDITO! NEFASTO! o status quo que se encontra a nossa sociedade é um caos, deprimente, o Estado assiste calado e de braços cruzados, se quem cala consente deixo explicito aqui: EU NÃO CALO, NÃO CONSINTO, EU FALO, EU ESCREVO, EU REPUDIO toda e qualquer forma de violência contra o ser humano, independentemente das circunstâncias.

Estudantes e acadêmicos indígenas foram e serão a próxima vítima, isto é fato, o próximo alvo de sujeitos truculentos, estúpidos! desprovidos de ética e moral, munidos de racismo e armas, encravam o ódio contra indígenas em Mato Grosso do Sul (Terra de nínguém), usam da barbárie beirando a loucura para alcançar seus intereses(Modus operandi), aos acadêmicos indígenas como nova camada emergentes na sociedade deixo o alerta, tomem cuidado! abra o olho! melhor, abram os olhos e ouvidos, caso contrário, pessoas inocentes como Ludesvoni Pires, que perdeu a vida num onibus escolar, faleceram, ela deixa para trás quatro filhos e uma vida inteira, compartilho aqui minha dor e revolta, que se instalou na aldeia Cachoeirinha (Miranda-MS), no meio do Pantanal, no âmago do meu pranto profundo pela sua morte.


Autoria:
Ronilo Jorge
Acadêmico indígena de História/UFGD

PF confirma seis prisões de lideranças indígenas na Aldeia Buriti

A assessoria de imprensa da Polícia Federal confirmou que foram presas seis lideranças indígenas da aldeia Terena de Buriti, no município de Sidrolândia. Além disso, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, sendo três dentro da aldeia, 10 na região e um na sede da Fazenda 3R.

A operação policial começou as 10h desta segunda-feira com policiais federais e tropa de choque da Polícia Militar. Uma guarnição do Corpo de Bombeiros também deu apoio, em caso de algum conflito, mas não foi preciso intervenção. Os nomes das lideranças indígenas, inclusive caciques, não foram revelados. Todos os detidos já estão na sede da PF em Campo Grande.

Há informações extra-oficiais de que haveria grupo armado com um arsenal. Desde maio um grupo de 1.500 índios da Aldeia Buriti estão ocupando a Fazenda 3 R, pertencente ao pecuarista Renato Bacha e a Fazenda Bom Jesus. Notícia atualizada as 15h15 para acréscimo de informação. (Com informações do Regiãonews).


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29/08/2011 14:55

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Índia que sofreu atentado em ônibus escolar morre na Santa Casa

Morreu por volta das 18h desta terça-feira, na Santa Casa de Campo Grande, a indígena Lurdesvoni Pires, 28 anos, que estava internada há mais de dois meses, com 70% do corpo queimado. Ela estava em um ônibus escolar que sofreu atentado no mês de junho, no município de Miranda.

Lurdesvone teve 70% do corpo comprometido com as chamas que atingiram o ônibus. Uma, ou mais, pessoa ficou escondida em uma curva de estrada de chão na aldeia Babaçu e quando o ônibus escolar passou ateou uma espécie de tocha em chamas dentro do veículo escolar que carregava 30 passageiros. O atentado ocorreu no território indígena Cachoeirinha, onde vivem 6 mil índios que habitam seis aldeias.

No início da investigação, especulou-se a hipótese de o ataque ter sido motivado por uma briga envolvendo moradores da aldeia Babaçu contra os habitantes da aldeia Argola. O motivo da suposta desavença, contudo, não foi revelado. A Polícia Federal assumiu as investigações e não é descartada também a possibilidade de o atentado ter motivação relativa às questões de terras.


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23/08/2011 18:17

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Professores e estudantes denunciam violência contra indígenas

Professores, pesquisadores, acadêmicos e lideranças indígenas do Brasil e de outros países da América Latina fizeram moção de repúdio à ação de fazendeiros contra a comunidade indígena de Pyelito Kue-mbarakay, em Iguatemi, Mato Grosso do Sul.

Os participantes do IV Seminário Povos Indígenas e Sustentabilidade foram informados no dia 18 de agosto sobre a situação desesperadora pela qual passam mais de uma centena de indígenas que retornaram, há pouco mais de uma semana, ao seu território tradicional.

Os autores da moção denunciam que homens das fazendas, a cavalo e com cães cercaram o grupo que se encontra com fome, sem roupas e abrigo. Um grupo de crianças, mulheres e homens indígenas foram rendidos no dia 18 e liberados sob a condição de não retornarem ou seriam mortos.

Mais de 80 pessoas que assinaram a moção cobram ações imediatas da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Os manifestantes lembram que a função destes órgãos é “defender vidas e direitos humanos e não propriedades usurpadas”.


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22/08/2011 16:30

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Indígenas vão pedir a ministro criação de Projovem específico para aldeias

Representantes das comunidades indígenas de Mato Grosso Sul devem aproveitar a vinda do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, nesta sexta-feira (19/08) a Campo Grande, para pedir a implementação de um Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) que beneficie, especificamente, os estudantes indígenas do Estado.

A agenda com o ministro não havia sido confirmada até o final da tarde desta quinta-feira (17), mas o presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas de Campo Grande (CMDDI), Élcio da Silva Júlio, disse que a proposta é apresentar ao Governo Federal um panorama das perspectivas e da situação dos estudantes indígenas no Mato Grosso do Sul e das dificuldades que eles enfrentam para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.

"Não existe nada que garanta a inclusão desses jovens no mercado", ressalta Élcio, que aponta ainda a dificuldade encontrada, principalmente, por acadêmicos indígenas do MS. "Queremos a criação de um programa que trate os estudantes indígenas de forma específica e aumente as chances de inclusão no mercado de trabalho", diz o presidente do CMDDI.


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17/08/2011 17h33

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Programa quer levar testes rápidos de HIV, sífilis e hepatite a aldeias de todo o país


O governo brasileiro lança este mês um programa para fazer testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C em todas as aldeias indígenas do país. O objetivo é examinar, até o fim de 2012, todos os índios com mais de 10 anos e encaminhar para o tratamento os que obtiverem resultados positivos.

Segundo o secretário especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza, resultados de um projeto piloto do programa, com a participação de 46 mil indígenas do Amazonas e de Roraima, indicaram níveis "preocupantes" de HIV e sífilis.

A prevalência de sífilis na população indígena avaliada foi 1,43%, inferior à média do resto do país (2,1%). No caso do HIV, foi 0,1%, ante 0,6% da média nacional.

Para Souza, ainda que inferiores aos índices nacionais, ambos os dados exigem atenção por demonstrar que há transmissão dos vírus mesmo em populações isoladas, o que indica que seus integrantes mantêm contato com pessoas contagiadas fora das aldeias.

Em gestantes indígenas, a prevalência de sífilis foi 1,03%, mais baixa do que as taxas encontradas em grávidas nos centros urbanos (1,6%). O índice de HIV em indígenas gestantes foi 0,08%.

De acordo com o secretário, os kits para o teste garantem, com poucas gotas de sangue, a obtenção dos resultados em até 30 minutos e podem ser transportados mesmo em condições de calor e umidade, fator essencial para que sejam levados às aldeias mais remotas.

Antes, os indígenas precisavam ser removidos para as áreas urbanas para a coleta de sangue e posterior análise dos resultados, o que podia levar até 15 dias.

Os testes começam a ser aplicados em aldeias de Minas Gerais, do Espírito Santo e de Mato Grosso nos dias 27 e 28 de agosto; nos meses seguintes, devem chegar aos demais estados.

Souza explica que os aplicadores estão sendo treinados por cerca de 70 técnicos que participaram de um seminário em Brasília no mês passado.

Em caso de resultados positivos para sífilis, a equipe dará início imediato ao tratamento; já nos casos de HIV e hepatite, os indígenas serão convidados a fazer testes de confirmação no município mais próximo. Se a doença for comprovada, serão tratados em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

O secretário disse ainda que o programa também visa a informar os indígenas sobre como as doenças se transmitem e os modos de prevenção. Ele destacou que, para isso, os agentes terão de levar em conta as características culturais locais.

De acordo com Souza, há culturas indígenas que não aceitam o uso de preservativos e que o ministério terá de trabalhar para que eles usem pelo menos quando se deslocarem à área urbana, em caso de contato com pessoas de fora.

Ele disse que, em certos grupos, as mulheres costumam ser mais resistentes ao uso da camisinha, questão que também deve ser abordada nas campanhas educativas.

A médica e idealizadora do programa, Adele Benzaken, da Fundação Alfredo da Matta, disse que, no projeto piloto, quase 100% do público-alvo concordou em fazer o teste.

Ela destacou que a acolhida aos tratamentos indicados para sífilis tem sido igualmente positiva. O problema maior, segundo a médica, é convencê-los a se tratar em caso de HIV, pois ela diz que os indígenas costumam resistir à ideia de que devem passar o resto da vida tomando medicamentos para combater uma doença que, em muitos casos, demora a provocar sintomas.

Outra complicação é removê-lo para o município mais próximo. Adele disse que já viu índios se negarem a sair da aldeia para fazer o tratamento, por preferirem fazer o tratamento com o pajé.


A transferência para a cidade, segundo a médica, torna-se ainda mais improvável quando esses indígenas já tiveram decepções com o sistema de saúde.


Fonte:
17/08/2011 10:11

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Índios de Iguatemi permanecem na mata aguardando chegada da Funai e da PF

Desde que tiveram o acampamento destruído, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, os 124 índios guarani kaiowá que ocuparam área na divisa entre duas fazendas, em Iguatemi, continuam na mata e aguardam a chegada, esta tarde, de equipes da Funai (fundação Nacional do Índio) e da PF (Polícia Federal).

De acordo com Rosélio Gonçalves, um dos integrantes do grupo indígena, funcionários das fazendas continuam rondando o local. “Esta manhã, por volta das 10h30, eles passaram de novo, a cavalo”, relata Rosélio, contando ainda que desde o ataque ao acampamento, que provocou a fuga dos índios para a mata, os funcionários das fazendas patrulham a área permanentemente.

“Agora estamos do outro lado do córrego e vamos esperar o pessoal chegar para ver a situação aqui e decidir o que vamos fazer”, informou Rosélio. Ele confirmou ainda que são 124 pessoas na área ocupada desde o dia 9 deste mês, todos provenientes da aldeia Jaguapiré, município de Tacuru.

A área ocupada é reivindicada pelos índios como Tekoha (terra tradicional), faz parte do território denominado como Pyelito Kue, e está incluída nas portarias da Funai publicadas em 2008, que formaram Grupos de Trabalho para estudos em 26 municípios da região sul do Estado, visando o reconhecimento e demarcação de terras indígenas.

Além da Funai e da PF o MPF (Ministério Público Federal) também acompanha o desenrolar da situação. Ontem, o procurador da República em Dourados, Marco Antônio Delfino de Almeida, afirmou que a denúncia da destruição do acampamento estava sendo averiguada. “Se houve violência, será instaurado inquérito”, afirmou.


Fazendeiros

Esta é a terceira vez que os índios ocupam terras na região. Em 2003 e 2009 as ocupações tiveram desfechos marcados por violentos confrontos com seguranças das fazendas.

A área ocupada agora pelos índios fica na divisa entre as fazendas Maringá e Santa Rita. A Fazenda Santa Rita é propriedade da família do prefeito de Iguatemi, José Roberto Felippe Arcoverde (PSDB).

A responsável pela propriedade é a irmã dele, Lucia Renata Felippe Arcoverde Barros, que mora no Paraná e chegou hoje a Iguatemi para tomar pé da situação.

Já a Fazenda Maringá é administrada por Dagmar Vargas Antunes, filho da proprietária.



Fonte:
15/08/2011 15:29